quinta-feira, dezembro 31, 2009

Ainda a reserva genética, agora da Mauritania

Onde ainda se practica a excisão...

Calibre


Foi mesmo esse... 19 gramas

Onde tudo se repete


le gibier a grossis...le chasseur aussi

Quando tudo começa


O nascer do sol

Humanidade


A memória dos nossos genes e as reserva genética
da humanidade

Senegal e Gambia



As boas vindas

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Profecias

"Her beauty caused Apollo to grant her the gift of prophecy. However, when she did not return his love, Apollo placed a curse on her so that no one would ever believe her ...".

E assim um nome ficou para sempre ligado á tragédia grega. Um dom que não se sabe ou não se pode usar. Apenas passível de metamorfoses inoperantes. Inútil quer na Grécia espartanna ou na bárbara península.
Só que... a mitologia e a história se repetem em círculos. Inexoráveis mesmo que se tente trocar de imagem, de tempo e de espaço. Um dia, tudo acabará na "tabacaria", deixando apenas no caminho "Esteves" perplexos e sem metafísica:

"Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido."

sábado, dezembro 12, 2009

Relojoaria

É sempre uma descoberta cada ida á Suíça. Mesmo como desta vez em que não saí do hotel do aeroporto de Zurich. A paisagem aérea com os vales e as montanhas que quase limitam a sobrevivência e a comunicação. Os lagos de contos de fadas. A eficiência em tempo certo, sem precipitações nem improviso. Alguns acham-na monótona e triste. Eu sempre preferi a complexidade simples de um relógio mecânico á exuberância de um de pilhas. Não se esgotam e vivem do próprio movimento e da vida.

sexta-feira, novembro 20, 2009

trutas y patagónia setentrional


o fim gelado e um vento vindo do infinito...

o princípio...


rusticidade da cabaña







a paisagem




Se algum dia voltar a passar pela minha cabeça um regresso a estas paragens estas imagens serão suficientes para fazer prevalecer o bom senso....

sexta-feira, novembro 13, 2009

segunda-feira, novembro 09, 2009

O estado onírico

As pessoas não são aquilo que aparentam. Nem sequer são o que gostariam de ser. São apenas emanações grosseiras ou sofisticadas daquilo que delas queremos que projectem. E assim o terreno fica delimitado para a actuação de um lado.Desnecessária face á voluntária cegueira do outro lado.
Em tempos julguei que haveria vendedoras de miragens. Hoje mesmo soube que sou eu próprio que crio a imagem e a vendedora. E isso é apenas quando não vendo as minhas próprias miragens.

terça-feira, outubro 06, 2009

Tributos

Há certas obrigações que se pagam com alguma revolta. Vide o IRS no meio deste continuado desbragamento fiscal. Outros com indiferença como uma portagem. Ainda alguns com gosto, como o tomar conta de um amigo. Mas dei comigo ontem, feriado, a comprar queijo magro, feijão verde, formas luso...com prazer. Só depois percebi que estava a pagar o tributo á minha liberdade.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Aos dezassete anos acabados de fazer

Viajava-se numa linha aérea canadiana, hoje inexistente, até uma ilha mais pequena e seca que tinha por despojo de guerra uma extensa pista. Depois dormia-se num clube com asas, rádio e atlântico. O serão foi passado no cinema dos bombeiros a ver um filme já nessa altura antigo mas que a memória retém: Barrabás.
No dia seguinte, com alguma sorte, apanhava-se um pequeno avião que mal suportava o peso de um piloto obeso quanto mais dos seis passageiros que o podiam acompanhar desde que não levassem muita bagagem. Aterrava-se depois numa pista de pasto, não antes de uma passagem rasante para afastar as vacas que aí ruminavam placidamente, e atingia-se a ilha maior e mais verde.
Chegou com os olhos deslumbrados e o cabelo ainda rapado pela praxe implacável. No tempo dos Beatles e aos 17 anos este débito capilar parecia inultrapassável.
No entanto, numa das numerosas festas que aproveitavam o natal e o fim de ano, conheceu-a.
Começou a perceber, surpreendido, que para o outro género pouco importava o cabelo de presidiário ou o sotaque diferente e que havia uma linguagem eloquente e universal que passava apenas pelo olhar. E que era possível uma relação que dentro de nós conciliava o desejo físico com aquilo que sonhamos. E o amor brotou com a força e arrebatamento da vegetação que lá existe. Límpido, inconsequente e puro como a água de uma lagoa.
As férias passaram e o regresso pelo mesmo, agora longo, caminho. Antes disso entendeu que o a linguagem dos olhos podia revelar ao mesmo tempo dor da despedida, paixão, satisfação e esperança. Só a ultima verdadeiramente infundada.
Voltou a vê-la esta semana. Muitos anos e muitas vidas passados. Mas o olhar lá estava. Sem recriminações nem esperança. Sem fogo. Mas com o reflexo das suas memórias e um sonho fugaz do que poderia ter sido.

100 metros



separam a porta do inferno da porta do paraíso

sábado, setembro 19, 2009

Ainda Veneza


"And there were times,

I am sure you knew

where I picked up

more than I could chew"



Morte em veneza?




Veneza, um postal na janela

Europa mediterranica (1)


Mónaco, principado das aparências:

Os soldados e o render da guarda são de opereta. As princesas não terão as virtudes dos contos, pelo menos dos infantis. O príncipe, se fosse sapo, preferira talvez sair do encantamento com um beijo barbado. E até o mármore do casino é cimento e madeira pintada

segunda-feira, setembro 14, 2009

O relógio do inconsciente

Tudo terá acontecido por acaso. Uma reunião de investigadores de um estudo de uma das numerosas drogas russas compradas por uma companhia ocidental. No Mónaco. A que se juntou o desejo, muitas vezes adiado, de conhecer Veneza. Outra reunião, da Neuronet, em Florença e mais uma distracção do destino. Não havia voos directos e o comboio perfilava-se como mais rápido e apropriado.

Tinha de aprender a viver com a sua doença. Que obsessivamente o obrigava a horários quase rígidos e a alimentação regular e equilibrada. Um cruzeiro parecia novamente uma opção razoável. Uma noite de mistral desde Civitavechia a Livorno e os balanços e rangidos do Funchal levaram-no a procurar refúgio num comboio para Florença. Ia inseguro da sua nova situação mas com companhia solícita e apaixonada.

As chegadas a Florença coincidiram no mesmo mês e no mesmo dia. Só disso teve consciência quando a gare se lhe ofereceu, não como descoberta mas como memória. Cada recanto, cada binário. O vagabundo ainda dormindo no chão. E o mesmo relógio que inexorável e quase milimetricamente tinha marcado 21 anos.
As lágrimas irromperam impiedosas e as recordações voaram para a cidade e para aquele quarto esconso com os telhados antigos por vista e os sinos a tocar. E pela primeira vez continuou a chorar as lágrimas que não tinha vertido, a fazer as despedidas que não tinha feito. Naquele lugar de partidas e chegadas encontrou o passado.

domingo, setembro 06, 2009

Os gestos e as intenções

Que significado terá para cada um a comemoração de uma data? Do aniversário por exemplo. Os cheiros da infância, o centro das atenções de um dia, a família, os amigos?
Este iria ser um dia de anos triste. Só e a milhares de quilómetros de casa, vivendo uma vida dura e sem rumo. Um convite algo inesperado para jantar. Onde encontrou um prato típico da sua terra natal. Um pudim com receita retirada da net. Um bolo com um número de velas já significativo para uma pessoa jovem. Um presente comprado á pressa mas com envolvimento.
Como se passa de um entusiasmo infantil até ás lágrimas engolidas com esforço num rosto brevemente feliz!
E como essa aparente metamorfose foi suficiente para o prazer de quem a olhava. Não teria pois de recorrer aquilo que as outras pessoas lhe costumavam exigir em troca.