quarta-feira, junho 17, 2009

Saudades de ser médico



Por vezes assalta-me esta nostalgia. Do tempo em que na relação não se intrometia uma equipa de técnicos, 3 ou 4 administradores, "guidelines", orçamentos, planos quinquenais, produtividade, meta-análises, custo-benefício. Do diagnóstico que se fazia olhos nos olhos usando os sentidos e a sensibilidade. Do doente que não exigia TAC, RNM, video-eeg, PET. Como doente estarei porventura mais protegido? Se todos os exames forem normais acabará o meu problema quer como doente quer como médico?

quinta-feira, junho 11, 2009

Quase de saida do barranco

Despedida de um outono sereno e frio para um fim de primavera que desejo quente. Do novo para o velho mundo. De um eu para outro. E o rio correndo inexorável para "mar de la plata"...

terça-feira, junho 09, 2009

Vícios circulares

Dei comigo a pensar que há vícios que se saciam como a sede e há outros que se autoalimentam como os "lobbies".

terça-feira, junho 02, 2009

Ainda no barranco do rio Paraná

Depois de uma madrugada de patos "colorados" (os mais lindos) lendo Luís Rosa e o dia de Aljubarrota. Deixando-me embalar pelo português quase arcaico sem tentar entender cada palavra. Enquanto tento perceber o que nos separa do espanhol que me rodeia passados quase 700 anos.

sexta-feira, maio 29, 2009

Num barranco do rio Paraná lendo Roth

O animal moribundo com o rio correndo inexorável aos pés. As flechas certeiras do tempo, da justificação e do imaginário.É provável que seja um livro que não se deva terminar. Mas para imaginar finais de acordo com os momentaneos estados de alma.

sábado, abril 25, 2009

Quanto tempo duram as linhas paralelas ?

Duas linhas nunca começam paralelas. Primeiro é natural que se encontrem, se entrelacem, se confundam. Depois começa o caminhar lado a lado com os olhos no horizonte que se confunde facilmente com o infinito. Uma força e energia invisível mantem a distancia e os objectivos. Mas também a divergência não surge de repente. Apenas como algumas incursões a solo que rapidamente conduzem á gravitação da tal força. Até um dia.....

segunda-feira, abril 13, 2009

Orgulho sem preconceito

Nunca tive de sair por a isso ser forçado. Resisti aos vendavais ás tormentas e aos amigos. Á destruição, á calunia e á maldade. Á hipocrisia e á ganancia. Ao desamor e á paixão. A tudo sobrevivi com sofrimento mas sem vacilar. Agora que os últimos ecos se vão esmorecendo saio porque quero...sem vacilar e sem rancor. Sem dobrar.Por opção, sem estratégia e sem mensagem.

sábado, abril 11, 2009

Quantos anos tem a tempestade?

Desci da bicicleta para descansar antes de iniciar os 20 quilómetros que me faltavam para voltar a casa. Num canal estreito dois homens descarregavam para a margem de junco a safra de moliço do dia, que se ia juntar ainda brilhante ao pé do mais antigo que fumegava tranquilo.
A conversa que início, perguntas de circunstancia, e as respostas sincopadas de quem se vê interrompido no seu trabalho. Respostas avaliadas e pensadas a que não ligo grande importância.
Entretanto as nuvens adensam-se numa escuridão que prenuncia a tormenta.
- Bem, vou andando que desta molha já não me livro- disse olhando algo desconsolado para os finos pneus e montando na bicicleta. Pensava que o diálogo tinha terminado. Já tinha virado as costas e começado a afastar-me quando uma última frase me atingiu. tão inesperada como um raio:
- Essa tempestade é mais velha do que nós.
Olhei para trás com o desconforto da cabeça mal virada e num único olhar tentei avaliar a sanidade do homem. E fui sempre pedalando e esperando sentir a agulha do primeiro pingo ou o ressoar de algum trovão. Que nunca mais chegavam. Então entendi que por mais livros que tivesse lido, por mais metereologia que tivesse consumido, por maior sofisticação que presumisse possuir havia coisas simples que não vinham nos livros, que não constavam no vocabulário dos metereologistas e sofisticação que eu nunca seria capaz de atingir.
A tempestade era de facto mais velha do que nós. Aquando da última frase já ela tinha atingido o ponto de não retorno. Se tivesse continuado a falar com ele talvez ele me tivesse explicado que muitas das tempestades que presumi e antecipei já eram mais velhas do que eu...

domingo, fevereiro 01, 2009

Bens, opções e Gerações

Há primeiro o sistema monárquico. O filho é protegido até á exaustão em deterimento de outros com maior capacidade e merecimento. Existe um "complot" a dois, por vezes tão descarado que só os próprios não se apercebem do ridículo. Frequentemente a segunda geração sobrevive enquanto o progenitor protege afundando-se depois na mediocridade de que as circunstancias nunca o deixariam sair. Tem um elevado preço portanto.

Depois há várias variantes deste sistema. Escolhe-se por exemplo uma actividade na área de influencia do Pai. Aqui já o "complot" terá de ser a mais de dois, a três , quatro, os que forem precisos. E a necessidade de finas redes de interesses, concessões e cumplicidades por vezes tão intrincadas como a trama dos primeiros livros de Le Carré. São os "monárquicos encapotados" e por isso mais hipócritas do que os primeiros.
É de mais difícil detecção para os de fora. Mas o preço final é o mesmo. Podem atingir altíssimos parâmetros técnicos mas sentem no fundo que lá chegaram por favor. Continuam a não ter vida própria fora dessa rede que os protege da uniformização mas também os prende fora da criatividade, da evolução. E nunca é fácil quebrar uma rede que nos protege sobretudo se houver uma réstia incómoda de consciência e o receio do mundo fora dela que nunca se teve oportunidade de conhecer.

Depois há ainda os outros para quem a influencia economica, política ou profissional do pai nada significa, Ou porque o viu trabalhar arduamente e não quer essa vida. Ou porque na comparação que de si faz com a geração precedente se declarou vencido á partida. Aí resta-lhe esperar, ás vezes escolhendo uns hobbies mais ou menos profissionais como passatempo, até que para si transborde não a competencia, nem a influencia, nem mesmo o protagonismo. Mas apenas o dinheiro. Sobra-lhes na espera o ciume e a envidia. Chegará depois o remorso?

Claro que depois há os outros...os que todos conhecemos e admiramos.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

sábado, janeiro 10, 2009

Não será verdade mas...

O segundo marido de uma mulher autoritária é muito parecido com o carro que escolhe: grande, utilitário e barato.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

E agora a água. Travessia do Monzon com o "Bragueta"



Miragem e Pesadelo


Acidente no Deserto


Só mesmo um português e um marroquino para chocarem no meio do deserto.
Ao lisboeta terão faltado os semáforos. Ao marroquino os travões.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Machado de Assis

"A venalidade,
disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender
a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e
legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o
teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria
consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há
mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue
para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um
privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrado assim o
princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou
pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o
exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a
hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente."

A Igreja do Diabo, de Machado de Assis

sábado, janeiro 03, 2009













Numa imensidão de areia em que nem os horizontes têm fim......

A partir dai o leito já é marcado pela presença de pedras que um dia terão rolado das montanhas e aí se quedaram como a tenacidade


aparece a primeira árvore cinzenta e indefinida