não sei bem quando surgirá a primeira desilusão. talvez quando se nasce para um mundo menos acolhedor...ou quando não nos escolhem para jogar futebol na equipa da rua...ou quando aprendemos que podem dizer mal de nós...quando pela primeira vez sentimos que não somos o centro de tudo...
sei no entanto que continua depois no desapontamento, no esfumar de expectativas que temos em relação a quem gostamos..por vezes até á agonia da traição e da rejeição...
também imagino que, nós próprios, não ficamos iguais..olhamos mais penetrantemente...ouvimos com mais reserva...sentimos com mais contenção...
pode surgir depois a evolução para a descrença e para o cinismo...não acredito em nada...não vou confiar em ninguém...não vou sentir... nada me magoa... Alguns aí permanecem solitários de opção, apreciando o mundo tranquila e pausadamente como se não lhe pertencessem.
http://www.youtube.com/watch?v=RKGXzMIAr40
Um pouco de tudo.Livros, viagens, passatempos, pensamentos... Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidencia
terça-feira, setembro 06, 2011
sexta-feira, setembro 02, 2011
intelectuais e a escolha
As Benevolentes foi um livro que me marcou. Nas primeiras cem páginas a coragem para abordar a seguinte vinha apenas de saber que tinha a liberdade de desistir. Por obrigação li talvez meia dúzia de livros. Do Saramago? seguramente. Do Paulo Coelho? tambem, o mais pequeno. Do Sousa Tavares. SIM, os dois. Gosto de não gostar porque conheço, não pela sedução de criticas e pelos must.
Vinha isto a propósito de alguns intelectuais a sério que utilizam adequadamente várias linguas para procurar a expressão mais precisa e rebuscam os livros à procura de alguma frase a que vagamente possam adaptar um estado de espírito tido por mais conveniente. E assim se auto-perpetuam. Repetem mas não inventam.
É tão segura a vida no meio de citações!
Vinha isto a propósito de alguns intelectuais a sério que utilizam adequadamente várias linguas para procurar a expressão mais precisa e rebuscam os livros à procura de alguma frase a que vagamente possam adaptar um estado de espírito tido por mais conveniente. E assim se auto-perpetuam. Repetem mas não inventam.
É tão segura a vida no meio de citações!
sábado, agosto 27, 2011
quarta-feira, junho 22, 2011
Elos
A vida é constituída por uma serie de elos contínuos que até que surja alguma rotura mais definitiva se vão juntando numa cadeia nem sempre lógica. Um desses elos começou numa data imprecisa de Fevereiro. Na altura em que G….. me convidou para um mate. Diz-se, nesta parte da América do Sul, que as amizades não se fazem bebendo leite. Este seria, dizem com humor ferino que os caracteriza, mais uma questão de amor. Não, as amizades, acreditam com convicção, começam com o vinho ou equivalentes locais mais fortes e destilados. E claro, acima de tudo com o “mate”. Essa erva, outrora espontânea, cultiva-se agora em enormes quantidades e a infusão a que da origem toma vários nomes. Quente no Rio Grande do Sul onde toma o nome de chimarrão. O mesmo exactamente que atravessando a fronteira para a Argentina de transfigura no mate que falávamos. Tal como no Uruguai e Paraguai. Neste ultimo pais, e no tempo do calor, blocos de gelo substituem convenientemente água quente .
Mas muito mais importante é o ritual que origina. Exige uma serie de instrumentos tradicionais em que os globalizantes plásticos são mal aceites. Recipiente de vidro para guardar a erva. Depois a ponta de um chifre trabalhado para, a maneira de uma pá, verter a quantidade precisa de erva para o recipiente: uma arredondada abóbora oca que ergonomicamente se ajusta a qualquer mão. Debruada a metal, frequentemente prata, não porque seja absolutamente necessário. Mas todas as liturgias a usam. Depois, e como parte última e essencial, a 'bombilla'. Um tubo do mesmo metal, com as curvas que a pratica foi ensinado, trabalhada com os enfeites ditados pela imaginação ou bolsa do gaúcho.
Mas o verdadeiro ritual só começa mesmo quando a agua com a temperatura certa se vai juntando, com a técnica e experiencia adequada. O que convida é o primeiro. Prova, dá o seu parecer e volta a 'cevar' para o companheiro seguinte. A cabaça passa assim de mão em mão e a bombilha de boca em boca. Uma partilha sem reservas que rapidamente se transfere para as palavras, sentimentos e recordações. E estas começaram devagar entrecortadas pelos intervalos proporcionados pelo cerimonial do mate e pelas nossas próprias memórias que íamos comparando
G…… era um filho de gente do campo e de trabalho. Dominavam de maneira absoluta e feudal as centenas de milhares de hectares e umas centenas de encarregados e peões sobre os quais o seu direito era quase divino e incontestado.
Berço de ouro no meio do deserto verde das terras… perto do mar e das areias brancas…cavalo desde que deu os primeiro passos, arma de defesa aos 5 anos que a terra não era fácil…bicicleta e barco á vela numa ria de horizontes que pareciam amplos…mas que eram menores que um dos lagos da sua “estancia”…automóvel aos 10 anos, avião privado aos 18, estudos em Londres num curso de gestão agrícola…faculdade de medicina em Coimbra… azares da vida, do jogo e da finança que o atiraram para uma vida difícil á beira da ruína…os progressivos exames das carreiras…a coragem para combater, para recomeçar, os limites da legalidade e a chegada ao desafogo quase ostensivo de antigamente…a ascensão ao topo das carreiras. Vareiro e Correntino assim se encontraram “mateando” pachorrentamente enquanto aos pés, rápidas mas tranquilas as águas contornavam a “vuelta del Pirata”antes de novo se lançarem, algo metaforicamente, na imensidão do rio Paraná.
Quando tudo se compôs, quando a sua vida entrou de novo na rotina algo se esvaziou como numa promessa cumprida…como numa viagem terminada…como alguém que olha com estranheza, agora com tempo, aquilo que o rodeia há anos mas de que não se tinha apercebido. Mas um homem não deprime, não chora. Sente mas resiste. Sofre mas segue. Não lhe apetece mas vai. O corpo contudo é mais frágil e rebenta em erupções na pele que tanto resistiu às intempéries da vida exterior.
E assim se cruzam, de maneira fortuita e improvável a doença psicossomática e o médico. E o “mate” continuou a correr, agora entre a explicação dos mecanismos e a sugestão terapêutica.
Quatro meses se passaram sem qualquer outro contacto. Que a amizade e confiança resistem tanto ao tempo como aos oceanos e aos continentes.
Há dias repete-se o ritual. O mate, a paisagem. Mas o simbolismo da pele crua e lisa do cinto gaúcho, com fivela de prata trabalhada e com as iniciais, que me ofereceu, foi um daqueles momentos de ternura, que alguns homens, que já tenham discutido mulheres, se permitem.
Como os que lerão esta estória G…… não gosta de caça. Por isso o convite para caçar num campo virgem de 3 gerações surpreende-me e emociona-me.
Havia lá um encarregado, gaúcho bravo de espetar 3 homens que acrescenta mais um elo á cadeia. E assim começará a estória do señor Aranda.
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
terça-feira, janeiro 18, 2011
espuma inconsequente dos livros que li
Num deles, há muitos anos, li que numa planície gelada o verdadeiro perigo era o vento. A neve pelo contrario protegia e envolvia como um manto.Como a solidão e o esquecimento...
domingo, janeiro 09, 2011
quinta-feira, dezembro 23, 2010
quinta-feira, dezembro 09, 2010
domingo, novembro 21, 2010
segunda-feira, novembro 15, 2010
sábado, novembro 13, 2010
sexta-feira, novembro 12, 2010
comparar para quê?
eu gostava de escrever com palavras como franja, limbo, remanescencia, estruturante, displicendo, paradoxo, fibras, essencia, alma. mas para que tivessem algum significado teria de lhes juntar outras bem simples..., Já compararam um texto dos velhos contos de montanha, a força da palavra que ressalta na nossa emoção antes que se consiga alcançar o seu significado?
Mas comparar com que?
segunda-feira, novembro 08, 2010
Uma imagem só por si pode dizer-nos se é documental ou ficcional, ou melhor, ficcional ou não-ficcional?
Há, penso, pelo menos 3 factores a considerar. Primeiro, a prespectiva do autor da imagem. O segundo, a interpretação de quem a olha. Finalmente há o evento em si que se retrata.
E os dois primeiros factores são altamente subjectivos. Dependem já de um preconceito, de uma experiencia prévia, de um imaginário. Dadas estas variáveis que condicionam o olhar do autor e do espectador, será então difícil que coincidam. Nem sei mesmo se sera desejável esta uniformização interpretativa em vez de deixar em aberto muitas outras possibilidades de escolha e interpretação. E por último há a realidade, que se pretende documentar, e é sempre complexa.
Serão o facto, ou a situação, enfim a realidade que se pretende retratar, concretos, objectivos ,matemáticos? Imutáveis? Penso também que não. Para nos apercebermos da realidade do objecto ou da situação necessitaríamos de uma abordagem lógica, exaustiva a esse objecto ou situação. Com todos os ângulos, luzes, movimentos, análises e interpretações. Com muitas repetições, ensaio, intrumentação adequada, erro e correcção. Como o método de estudo de uma ciência empírica. E mesmo aí concluiriamos, na maior parte das vezes, por probabilidades e não por certezas. E, para passar desta probabilidade á regra teriamos sempre de teorizar. E a teoria é, em si propria, subjectiva. Como um circulo viciosoPenso que nenhum de nós se interessaria por um documentário destes em que todas as confirmações teriam de ser documentadas. Cada passo provado. Poderia eventualmente, uma dessas “reportagens” agradar a um especialista dessa area. Mas difilmente seduziria uma pessoa que procura para alem da evidencia.
Vejo apenas duas saidas. Ou consideramos tudo como virtual e interno vivendo apenas na nossa imaginação como num conto de Borges. Ou consideramos que os grandes factos, e os pequenos, que vivemos, teem em nós uma ressonância emocional primária antes de serem integrados conscientemente no nosso conhecimento. A emoção antes da consciência. Proponho ao documetário, que um dia consiga fazer, o papel de provocar esse estado emocional. E deixar a cada um dos espectadores a sua interpretação e diluição dentro das suas vivencias e dos seus sentidos. É assim afinal que gostaria que nos fossemos criando e desenvolvendo, num clima de liberdade interpretativa.
E os dois primeiros factores são altamente subjectivos. Dependem já de um preconceito, de uma experiencia prévia, de um imaginário. Dadas estas variáveis que condicionam o olhar do autor e do espectador, será então difícil que coincidam. Nem sei mesmo se sera desejável esta uniformização interpretativa em vez de deixar em aberto muitas outras possibilidades de escolha e interpretação. E por último há a realidade, que se pretende documentar, e é sempre complexa.
Serão o facto, ou a situação, enfim a realidade que se pretende retratar, concretos, objectivos ,matemáticos? Imutáveis? Penso também que não. Para nos apercebermos da realidade do objecto ou da situação necessitaríamos de uma abordagem lógica, exaustiva a esse objecto ou situação. Com todos os ângulos, luzes, movimentos, análises e interpretações. Com muitas repetições, ensaio, intrumentação adequada, erro e correcção. Como o método de estudo de uma ciência empírica. E mesmo aí concluiriamos, na maior parte das vezes, por probabilidades e não por certezas. E, para passar desta probabilidade á regra teriamos sempre de teorizar. E a teoria é, em si propria, subjectiva. Como um circulo viciosoPenso que nenhum de nós se interessaria por um documentário destes em que todas as confirmações teriam de ser documentadas. Cada passo provado. Poderia eventualmente, uma dessas “reportagens” agradar a um especialista dessa area. Mas difilmente seduziria uma pessoa que procura para alem da evidencia.
Vejo apenas duas saidas. Ou consideramos tudo como virtual e interno vivendo apenas na nossa imaginação como num conto de Borges. Ou consideramos que os grandes factos, e os pequenos, que vivemos, teem em nós uma ressonância emocional primária antes de serem integrados conscientemente no nosso conhecimento. A emoção antes da consciência. Proponho ao documetário, que um dia consiga fazer, o papel de provocar esse estado emocional. E deixar a cada um dos espectadores a sua interpretação e diluição dentro das suas vivencias e dos seus sentidos. É assim afinal que gostaria que nos fossemos criando e desenvolvendo, num clima de liberdade interpretativa.
segunda-feira, novembro 01, 2010
quarta-feira, outubro 27, 2010
sábado, outubro 09, 2010
puta que os pariu!
de regresso do Alentejo. onde estão as perdizes de antigamente, bravas, relampagos de força e beleza que fixavam todo o esforço de quilómetros de perseguição num flash mais viciante que qualquer droga? onde está o casaco, comprado a um hippie rasgado depois pelas passagens apressadas pelo arame farpado, que fazia parar mercedes para pedir ao tiozinho (eu) " venda-me aí umas perdizes"?
Agora as perdizes veem do aviário.A roupa é "patagónia" ou "holland and holland". Conduzimos nós os mercedes.Ao almoço, chanel e avène substituiram o cheiro a tanspiração e a mato.
Agora as perdizes veem do aviário.A roupa é "patagónia" ou "holland and holland". Conduzimos nós os mercedes.Ao almoço, chanel e avène substituiram o cheiro a tanspiração e a mato.
quinta-feira, outubro 07, 2010
msn
madrid, roma, budapest, paris, barcelona
O voo da borboleta do msg ultrapassa largamente a formatação da microsoft.
Mas a borboleta é apenas intemporal e cedo se transformará em larva. Não pela evolução. Apenas pela mentira. Do concerto dos U2 só ouvi a parte que dizia "without you". Um alívio que se materializou em "singing in the rain".
O voo da borboleta do msg ultrapassa largamente a formatação da microsoft.
Mas a borboleta é apenas intemporal e cedo se transformará em larva. Não pela evolução. Apenas pela mentira. Do concerto dos U2 só ouvi a parte que dizia "without you". Um alívio que se materializou em "singing in the rain".
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