As mudanças de estado sempre me fascinaram. Do estado físico, lento e previsível, mas sobretudo dos estados de alma, mais rápidas na aparência.
Com a facilidade que o caçador se torna caça! Ou se não quisermos ser radicais, de como o caçador se torna um guardião atento das espécies que antes perseguia. E onde antes havia conhecimento mutuo e defensivo passa agora a haver cumplicidade e confiança. No mesmo espaço onde antes se defrontavam e desfrutavam muda-se para a protecção e a ternura.
Mudança de estado de alma. Sublimação em sentido físico, passagem directa de sólido a volátil.
Um pouco de tudo.Livros, viagens, passatempos, pensamentos... Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidencia
quarta-feira, agosto 26, 2009
terça-feira, agosto 25, 2009
A última
Dizia David Lodge num dos livros da sua época áurea, creio que na "Terapia", que nada há de pior que ser a/o último/a. Mas o último cigarro sabia-se quando foi ou será. Assim como o último dia de trabalho. A última página de um livro (actualmente diria o ultimo suspiro da pilha do aparelho auditivo). Tem hora, tem dia.
A diferença era enorme, acrescentava, em relação á actividade sexual. Nunca se podia dizer que esta seria a última porque nunca se sabia.Tinha-se sempre a esperança que não fosse, quer antes quer depois.
Tristemente esta dicotomia não se pode aplicar aos livros dele. Tive eu a esperança que o "thinkings" não fosse o último. Agora acho que é pena que não tivesse sido.
A diferença era enorme, acrescentava, em relação á actividade sexual. Nunca se podia dizer que esta seria a última porque nunca se sabia.Tinha-se sempre a esperança que não fosse, quer antes quer depois.
Tristemente esta dicotomia não se pode aplicar aos livros dele. Tive eu a esperança que o "thinkings" não fosse o último. Agora acho que é pena que não tivesse sido.
sábado, agosto 22, 2009
Soit pas fachée
Soit pas fachée…
De manhã bem cedo acordei tranquilo e lúcido com a letra desta canção esvoaçando longinquamente como espuma no meu cérebro. Fragmento a fragmento ia compondo dentro de mim uma ideia, um desejo, quase uma justificação. Como um ligeiro e breve raio de luz que ia iluminando, numa sequencia aparentemente ilógica, recantos perdidos das minhas memórias, dos meus sentimentos, do meu prazer e da minha dor. Da minha vida.
… si je te chante les souvenirs …
As vezes que contei esses souvenirs…os pormenores que descrevi… as composições e acrescentos com que os poli. A falsa modéstia em que tentei envolve-los…
… ces amourettes insignifiants on preparé un grand amour...
Com que intenções que os contei… A demonstração misógena e primitiva..a máscara contra a a insegurança…a preparação do caminho de regresso… a tentativa inábil de subir um patamar a cada relação, como se todo o passado fosse terreno conquistado na evolução para aquilo que não sabia procurar.
…car tu serás ma derniére chanson…
Assim acreditava, como se na vida e no amor pudesse haver primeiro e último. .. Nunca e sempre…Agora e depois… Como se fosse algo que existisse de material, de físico ou mesmo de humano. E não apenas a tal espuma saltitante e raio de luz aleatório e incerto…e fugaz…e imprevisível.
Pouco a pouco como se comandada por irreal disc jockey a melodia foi mudando embora a língua original se mantivesse
Les vieux ne revent plus…
Mas porque continuarão a contar? Serão as intenções travestidas agora de didatismo? Como se quisessem evitar erros e ensinar os percursos, as limitações, o fogo e as cinzas, não a eles próprios, mas á imagem actual dos seus antigos objectos de desejo?
O disck jockey perdeu agora a cabeça e entrou num medley sem rumo nem lógica.
…I wish I can tell
heaven from hell…
…you looked so self secure…
… when you look into de vacuum of his yes…
… what is a man
What does he got…
If not himself then he has naught…
…Ce soir je serais la plus belle
pour aller dancer…
… close you yes close the door
I”ll be your baby tonight…
…like the circles that you find…
In the windmills of your mind…
…ne me quite pas
Je vais plus parler..
…completely unknown
Like a ROLING STONE…
De manhã bem cedo acordei tranquilo e lúcido com a letra desta canção esvoaçando longinquamente como espuma no meu cérebro. Fragmento a fragmento ia compondo dentro de mim uma ideia, um desejo, quase uma justificação. Como um ligeiro e breve raio de luz que ia iluminando, numa sequencia aparentemente ilógica, recantos perdidos das minhas memórias, dos meus sentimentos, do meu prazer e da minha dor. Da minha vida.
… si je te chante les souvenirs …
As vezes que contei esses souvenirs…os pormenores que descrevi… as composições e acrescentos com que os poli. A falsa modéstia em que tentei envolve-los…
… ces amourettes insignifiants on preparé un grand amour...
Com que intenções que os contei… A demonstração misógena e primitiva..a máscara contra a a insegurança…a preparação do caminho de regresso… a tentativa inábil de subir um patamar a cada relação, como se todo o passado fosse terreno conquistado na evolução para aquilo que não sabia procurar.
…car tu serás ma derniére chanson…
Assim acreditava, como se na vida e no amor pudesse haver primeiro e último. .. Nunca e sempre…Agora e depois… Como se fosse algo que existisse de material, de físico ou mesmo de humano. E não apenas a tal espuma saltitante e raio de luz aleatório e incerto…e fugaz…e imprevisível.
Pouco a pouco como se comandada por irreal disc jockey a melodia foi mudando embora a língua original se mantivesse
Les vieux ne revent plus…
Mas porque continuarão a contar? Serão as intenções travestidas agora de didatismo? Como se quisessem evitar erros e ensinar os percursos, as limitações, o fogo e as cinzas, não a eles próprios, mas á imagem actual dos seus antigos objectos de desejo?
O disck jockey perdeu agora a cabeça e entrou num medley sem rumo nem lógica.
…I wish I can tell
heaven from hell…
…you looked so self secure…
… when you look into de vacuum of his yes…
… what is a man
What does he got…
If not himself then he has naught…
…Ce soir je serais la plus belle
pour aller dancer…
… close you yes close the door
I”ll be your baby tonight…
…like the circles that you find…
In the windmills of your mind…
…ne me quite pas
Je vais plus parler..
…completely unknown
Like a ROLING STONE…
terça-feira, agosto 18, 2009
Os berços precisam de verniz?
Uma velha cama de grades veio, por puro acaso do destino, aterrar aqui em casa. Contou-me muitas historias da infância, de adormeceres serenos e despertares intensos. Evocou-me múltiplas imagens que presenciei através das sua grades, das figuras e dos objectos que na altura me rodeavam. Das histórias e dos sonhos que nela vivi. Da imaginação reconfortante que me povoava quando me abraçava á boneca de borracha que arduamente negociei com a minha irmã. Das próprias histórias da cama, de onde tinha vindo, a quem tinha servido na família. E o desejo súbito que um futuro neto partilhasse destas experiências.
O restaurador habitual das coisas velhas e provavelmente inúteis e a discussão do trabalho a fazer concluída com esta frase que registei:
- "Os berços antigos não precisam de verniz"
Por experiência própria e recente eu teria obrigação de saber...
O restaurador habitual das coisas velhas e provavelmente inúteis e a discussão do trabalho a fazer concluída com esta frase que registei:
- "Os berços antigos não precisam de verniz"
Por experiência própria e recente eu teria obrigação de saber...
sábado, agosto 15, 2009
Modern Times revisitado
Em casa depois da segunda visita aos Modern Times. Técnica irrepreensível. Mas a natureza não evoluiu. Os tecidos continuam a reagir com dor, atenuável, edema, parcialmente controlável, e com equimoses. Como após qualquer combate de pesos pesados... Haverá contudo e sempre uma segunda hipótese para o sorriso!
terça-feira, julho 28, 2009
Modern Times
Há seres, porventura mais bafejados pela natureza, em que os dentes vão refazendo o seu desgaste. Noutros ainda renovam-se consoante as necessidades. Como não é esse o caso dos humanos surgiram as M... Clinic (s).
Os meus dentes e uma dessas clínicas cruzaram-se inexoravelmente no último Sábado. Habituado que estou a trabalhar em saúde há muitos anos, e aos cenários montados por muitos dos meus colegas na medicina privada, não me deixei impressionar especialmente pela recepção nem pelo pager- vibrador posto á minha disposição. Nem pela organização e planeamento que me levaram sucessivamente aos diversos andares. Um leve e indefinido descontentamento assaltou-me quando vi que se podia também recorrer a SPA, depilação, manicura etc. Mas muito breve já que, crédulo como sempre, pensei que estava a ficar velho e ultrapassado e que essa associação até podia ser benéfica para os doentes.
Um RX panorâmico e 2 viagens no elevador levaram-me pela primeira vez ao médico dentista. O assistente. Era apenas uma avaliação preliminar já que o “chefe” fazia questão de me ver pessoalmente. Tivemos uma breve conversa. Contei-lhe que os doentes eram muitas vezes vistos pelos meus assistentes e que o meu papel de confirmação era na maioria dos casos redundante. Ele fazia questão, repetiu.
Um TAC e mais 2 viagens de elevador. Algumas explicações técnicas do assistente. E entra o “boss”. “É um caso banal” e o meu coração agradeceu. Esperava então uma explicação técnica. O porquê de uma solução ou de outra. “ Esta são 15 mil e a outra são 20 mil”.
Dei comigo a sentir como estou ultrapassado. E como teria sido a minha vida na actual era moderna.
Essa é uma migraine vulgar de 80 euros. Tem sorte porque se fosse migraine complicada seriam 120. Olhe, tem um Parkinson clássico de 10 mil. Desde a fase de “lua de mel” terapêutica até á fase terminal. Nessa altura poderemos discutir a hipótese de implante de estimulador se não estiver demênciado e tiver 50 mil. Se não talvez a assistência social pague o duodopa.
Lamento informa-la que tem uma miastenia gravis de 100 000 euros e.... E os olhos da Nilza aparecem-me de repente com uma nitidez que me assustou. A criança que vi transformar-se em mulher. As repetidas entradas, em crise, na reanimação (actualmente cuidados intensivos). As dúvidas, preocupações e noites passadas á tua cabeceira. Os teus olhos que comunicavam comigo por cima do tubo que te enchia a traqueia. (Quanto valeriam hoje os patos donalds que te levava?) A esperança da nova terapêutica (hoje com mais de 30 anos) que te tirou dessas visitas constantes á respiração assistida. Mas que te matou com as suas complicações que impotentemente não consegui debelar. Justamente uma semana depois de me apresentares o teu noivo e os projectos para a nova vida. Perguntaste-me se podias ter filhos lembras-te?
Hoje ainda sobreviverias. Terias apenas uma miastenia de 100 mil euros! Mas sobreviveria eu sem a recordação do teu olhar ?
Os meus dentes e uma dessas clínicas cruzaram-se inexoravelmente no último Sábado. Habituado que estou a trabalhar em saúde há muitos anos, e aos cenários montados por muitos dos meus colegas na medicina privada, não me deixei impressionar especialmente pela recepção nem pelo pager- vibrador posto á minha disposição. Nem pela organização e planeamento que me levaram sucessivamente aos diversos andares. Um leve e indefinido descontentamento assaltou-me quando vi que se podia também recorrer a SPA, depilação, manicura etc. Mas muito breve já que, crédulo como sempre, pensei que estava a ficar velho e ultrapassado e que essa associação até podia ser benéfica para os doentes.
Um RX panorâmico e 2 viagens no elevador levaram-me pela primeira vez ao médico dentista. O assistente. Era apenas uma avaliação preliminar já que o “chefe” fazia questão de me ver pessoalmente. Tivemos uma breve conversa. Contei-lhe que os doentes eram muitas vezes vistos pelos meus assistentes e que o meu papel de confirmação era na maioria dos casos redundante. Ele fazia questão, repetiu.
Um TAC e mais 2 viagens de elevador. Algumas explicações técnicas do assistente. E entra o “boss”. “É um caso banal” e o meu coração agradeceu. Esperava então uma explicação técnica. O porquê de uma solução ou de outra. “ Esta são 15 mil e a outra são 20 mil”.
Dei comigo a sentir como estou ultrapassado. E como teria sido a minha vida na actual era moderna.
Essa é uma migraine vulgar de 80 euros. Tem sorte porque se fosse migraine complicada seriam 120. Olhe, tem um Parkinson clássico de 10 mil. Desde a fase de “lua de mel” terapêutica até á fase terminal. Nessa altura poderemos discutir a hipótese de implante de estimulador se não estiver demênciado e tiver 50 mil. Se não talvez a assistência social pague o duodopa.
Lamento informa-la que tem uma miastenia gravis de 100 000 euros e.... E os olhos da Nilza aparecem-me de repente com uma nitidez que me assustou. A criança que vi transformar-se em mulher. As repetidas entradas, em crise, na reanimação (actualmente cuidados intensivos). As dúvidas, preocupações e noites passadas á tua cabeceira. Os teus olhos que comunicavam comigo por cima do tubo que te enchia a traqueia. (Quanto valeriam hoje os patos donalds que te levava?) A esperança da nova terapêutica (hoje com mais de 30 anos) que te tirou dessas visitas constantes á respiração assistida. Mas que te matou com as suas complicações que impotentemente não consegui debelar. Justamente uma semana depois de me apresentares o teu noivo e os projectos para a nova vida. Perguntaste-me se podias ter filhos lembras-te?
Hoje ainda sobreviverias. Terias apenas uma miastenia de 100 mil euros! Mas sobreviveria eu sem a recordação do teu olhar ?
sábado, julho 18, 2009
A antecipação
É talvez o que melhor traduz o nosso estado de humor de momento. Dêem-lhe a perspectiva de um momento bom e o prazer começa na nossa imaginação. Mas juntem-lhe um humor menos feliz e a mesma perspectiva antecipa-se em complicações e consequencias.
quinta-feira, julho 16, 2009
Uma questão de calibre
Longe vai o tempo em que viajava para a caça com duas automáticas de calibre 12, cada um dos 5 tiros que comportava carregado com 36 gramas de chumbo. Ao fim de umas centenas de tiros, violentos e ensurdecedores, parava. Mais por uma questão de desconforto que por satisfação.
Fui então progressivamente aprendendo o prazer dos pequenos calibres. Ultrapassei a desconfiança inicial do calibre 20 e dos 24 gr de chumbo. Em seguida seduziu-me o cartucho pequenino da calibre 28 com os seus 19 gramas. Inicío agora uma 410 com apenas 14 gramas.
Vivia eu na minha certeza de que o tamanho não interessava quando alguém aqui na net, numa das conversas que temos com regularidade nos últimos dias, me alertou para as diferenças da caça ao urso. Não interessa a altura dele. Até pode ser pequenino! Pode mesmo aparecer só muito ocasionalmente. Na maior parte das vezes será até prazeiroso, inócuo e inconsequente. Mas quando chega a apreciação do calibre começam os problemas técnicos. Não há cartucheira, nem XL, que o acomode.
Não sei se tenha pena ou inveja do urso. Apenas abalou a minha evolução e as minhas certezas.
Fui então progressivamente aprendendo o prazer dos pequenos calibres. Ultrapassei a desconfiança inicial do calibre 20 e dos 24 gr de chumbo. Em seguida seduziu-me o cartucho pequenino da calibre 28 com os seus 19 gramas. Inicío agora uma 410 com apenas 14 gramas.
Vivia eu na minha certeza de que o tamanho não interessava quando alguém aqui na net, numa das conversas que temos com regularidade nos últimos dias, me alertou para as diferenças da caça ao urso. Não interessa a altura dele. Até pode ser pequenino! Pode mesmo aparecer só muito ocasionalmente. Na maior parte das vezes será até prazeiroso, inócuo e inconsequente. Mas quando chega a apreciação do calibre começam os problemas técnicos. Não há cartucheira, nem XL, que o acomode.
Não sei se tenha pena ou inveja do urso. Apenas abalou a minha evolução e as minhas certezas.
segunda-feira, julho 06, 2009
Conceitos
Nas presentes eleições para os órgãos de Gestão da nossa Faculdade, embora integre modestamente uma das listas, tentei manter um distanciamento que se não completamente neutro, me ajudasse a perceber os princípios das duas listas.
Apreciei a elevação e o espírito de cada um dos documentos elaborados e, devo dize-lo, agradaram-me como académico e fizeram-me sentir orgulho numa Faculdade que mostrou dentro de si o poder de discutir e de se renovar.
Tenho, por outro lado, uma enorme admiração, respeito e até gratidão pelo Professor Manuel Antunes.
E se me dou ao trabalho de sair do tal distanciamento gostaria de destacar que o faço apenas para defesa dos princípios que penso devem nortear uma vivencia universitária e á consideração que tenho pelo autor do texto “razões para dar apoio prévio a um candidato a Director da Faculdade”. Texto esse que me motiva algumas reflexões
.
Começa e bem por destacar o papel importante que os actuais estatutos dão ao Director da Faculdade classificando mesmo os poderes que virá a ter como “praticamente ilimitados”. E como esses poderes são ilimitados, nada melhor do que ser o próprio a escolher os nomes que integram o colégio que o deve eleger e porventura “desnomear”.
Não posso obviamente estar de acordo com este princípio. Dados os amplos poderes de que dispõe o Director da Faculdade a função deste órgão colegial (Assembleia) deverá ser determinante e não se esgota na nomeação e eventual desnomeação como diz expressamente o autor do texto. É, em minha modesta opinião, o único órgão eleito e com poderes para avaliar, discutir, analisar e criticar a sua actuação.
A isto responde também o signatário da carta dizendo que há pessoas que não sabe a que mundo pertencem. Eu gostaria de sublinhar que há pessoas que pertencem a um mundo em se acredita num trabalho colegial, numa liderança que se possa criticar e influenciar. Considero mesmo o sistema colegial como a verdadeira essência do funcionamento universitário.
E aqui a escolha afigura-se-me simples. Ou escolhemos representantes em que se revejam as nossas posições, as nossas ideias o nosso espírito ou escolheriamos á partida um director para que ele próprio escolhesse os seus “representantes”.
A menor inocuidade democrática desta posição é ainda agravada quando a compara com as eleições legislativas. (“Os deputados à Assembleia da República também serão os fiscalizadores do Governo, e portanto do Primeiro-ministro, que daí resultarão.
E, no entanto, todos sabemos quem elabora a lista dos deputados e quem vai à
frente dela.”)
Tenho a veleidade de pensar, no mundo em que vivo, que:
1º Os bons exemplos devem ser seguidos
2º É das universidades, da sua capacidade para pensar em conjunto, para discutir, para antecipar, para investigar que pode nascer a liderança de processos políticos, democráticos, sociais e científicos.
Este abdicar desta importante vertente seminal, para importar exemplos da política geral do País, parece-me uma indesejável inversão de conceitos e de atitudes.
Mas ainda há uma frase que me motivaria uma discussão porventura demasiado académica para este momento:
… “eu não conheço nenhum movimento, nenhuma religião, nenhum programa político sem um líder. Como também não conheço nenhum líder político ou religioso sem um movimento, sem uma religião.”
Comentarei apenas que, em minha modesta opinião, há lideres que nascem do movimento que se gera, da tal antecipação que atrás falava como papel da universidade. Consagram em si as reflexões, o trabalho, as ambições e os princípios do movimento que encarnam.
Depois claro há os outros: que geram eles próprios os movimentos, que os controlam, fiscalizam e auto perpetuam. (Devo destacar que em minha opinião nenhum dos dois candidatos propostos se integra nesta definição).
No meu mundo universitário prefiro, talvez ingenuamente, os primeiros.
Apreciei a elevação e o espírito de cada um dos documentos elaborados e, devo dize-lo, agradaram-me como académico e fizeram-me sentir orgulho numa Faculdade que mostrou dentro de si o poder de discutir e de se renovar.
Tenho, por outro lado, uma enorme admiração, respeito e até gratidão pelo Professor Manuel Antunes.
E se me dou ao trabalho de sair do tal distanciamento gostaria de destacar que o faço apenas para defesa dos princípios que penso devem nortear uma vivencia universitária e á consideração que tenho pelo autor do texto “razões para dar apoio prévio a um candidato a Director da Faculdade”. Texto esse que me motiva algumas reflexões
.
Começa e bem por destacar o papel importante que os actuais estatutos dão ao Director da Faculdade classificando mesmo os poderes que virá a ter como “praticamente ilimitados”. E como esses poderes são ilimitados, nada melhor do que ser o próprio a escolher os nomes que integram o colégio que o deve eleger e porventura “desnomear”.
Não posso obviamente estar de acordo com este princípio. Dados os amplos poderes de que dispõe o Director da Faculdade a função deste órgão colegial (Assembleia) deverá ser determinante e não se esgota na nomeação e eventual desnomeação como diz expressamente o autor do texto. É, em minha modesta opinião, o único órgão eleito e com poderes para avaliar, discutir, analisar e criticar a sua actuação.
A isto responde também o signatário da carta dizendo que há pessoas que não sabe a que mundo pertencem. Eu gostaria de sublinhar que há pessoas que pertencem a um mundo em se acredita num trabalho colegial, numa liderança que se possa criticar e influenciar. Considero mesmo o sistema colegial como a verdadeira essência do funcionamento universitário.
E aqui a escolha afigura-se-me simples. Ou escolhemos representantes em que se revejam as nossas posições, as nossas ideias o nosso espírito ou escolheriamos á partida um director para que ele próprio escolhesse os seus “representantes”.
A menor inocuidade democrática desta posição é ainda agravada quando a compara com as eleições legislativas. (“Os deputados à Assembleia da República também serão os fiscalizadores do Governo, e portanto do Primeiro-ministro, que daí resultarão.
E, no entanto, todos sabemos quem elabora a lista dos deputados e quem vai à
frente dela.”)
Tenho a veleidade de pensar, no mundo em que vivo, que:
1º Os bons exemplos devem ser seguidos
2º É das universidades, da sua capacidade para pensar em conjunto, para discutir, para antecipar, para investigar que pode nascer a liderança de processos políticos, democráticos, sociais e científicos.
Este abdicar desta importante vertente seminal, para importar exemplos da política geral do País, parece-me uma indesejável inversão de conceitos e de atitudes.
Mas ainda há uma frase que me motivaria uma discussão porventura demasiado académica para este momento:
… “eu não conheço nenhum movimento, nenhuma religião, nenhum programa político sem um líder. Como também não conheço nenhum líder político ou religioso sem um movimento, sem uma religião.”
Comentarei apenas que, em minha modesta opinião, há lideres que nascem do movimento que se gera, da tal antecipação que atrás falava como papel da universidade. Consagram em si as reflexões, o trabalho, as ambições e os princípios do movimento que encarnam.
Depois claro há os outros: que geram eles próprios os movimentos, que os controlam, fiscalizam e auto perpetuam. (Devo destacar que em minha opinião nenhum dos dois candidatos propostos se integra nesta definição).
No meu mundo universitário prefiro, talvez ingenuamente, os primeiros.
domingo, julho 05, 2009
A recordação
Cheguei agora mesmo da prova de homenagem. Uma oportunidade de relembrar o sorriso franco e aberto que aprendi a conhecer muito antes de ele ter entrado na adolescencia. Meio pesado, bonacheirão, que se tornava felino , frio e de eficácia incrível quando atirava.
- "ò Bebé explica-me como se parte aquele prato". E o puto ensinava-me repetidamente, com carinho e eterna paciência.
A última vez que o vi mostrava-me com orgulho uma enorme moto reluzente. Terá sido dessa moto também a sua última e derradeira visão.
Como gostava de acreditar que ele partiu apenas para o grande e eterno paraíso dos caçadores. Que a vida é injusta mas sábia...
- "ò Bebé explica-me como se parte aquele prato". E o puto ensinava-me repetidamente, com carinho e eterna paciência.
A última vez que o vi mostrava-me com orgulho uma enorme moto reluzente. Terá sido dessa moto também a sua última e derradeira visão.
Como gostava de acreditar que ele partiu apenas para o grande e eterno paraíso dos caçadores. Que a vida é injusta mas sábia...
quinta-feira, julho 02, 2009
Há dias...
Em que tudo corre ao contrario do planeado. Há situações que teimam em alterar-se. Ás vezes sucedem-se em "cluster" dificilmente explicáveis pelo acaso. Quase como um teste repetido á nossa resistencia á frustração. Penso que nessas alturas, melhor que a revolta, é deixar-se embalar pelas vagas continuas. E disfrutar do destino que nem sempre se pode controlar...
segunda-feira, junho 22, 2009
quarta-feira, junho 17, 2009
Saudades de ser médico
Por vezes assalta-me esta nostalgia. Do tempo em que na relação não se intrometia uma equipa de técnicos, 3 ou 4 administradores, "guidelines", orçamentos, planos quinquenais, produtividade, meta-análises, custo-benefício. Do diagnóstico que se fazia olhos nos olhos usando os sentidos e a sensibilidade. Do doente que não exigia TAC, RNM, video-eeg, PET. Como doente estarei porventura mais protegido? Se todos os exames forem normais acabará o meu problema quer como doente quer como médico?
quinta-feira, junho 11, 2009
Quase de saida do barranco
Despedida de um outono sereno e frio para um fim de primavera que desejo quente. Do novo para o velho mundo. De um eu para outro. E o rio correndo inexorável para "mar de la plata"...
terça-feira, junho 09, 2009
Vícios circulares
Dei comigo a pensar que há vícios que se saciam como a sede e há outros que se autoalimentam como os "lobbies".
terça-feira, junho 02, 2009
Ainda no barranco do rio Paraná
Depois de uma madrugada de patos "colorados" (os mais lindos) lendo Luís Rosa e o dia de Aljubarrota. Deixando-me embalar pelo português quase arcaico sem tentar entender cada palavra. Enquanto tento perceber o que nos separa do espanhol que me rodeia passados quase 700 anos.
sexta-feira, maio 29, 2009
Num barranco do rio Paraná lendo Roth
O animal moribundo com o rio correndo inexorável aos pés. As flechas certeiras do tempo, da justificação e do imaginário.É provável que seja um livro que não se deva terminar. Mas para imaginar finais de acordo com os momentaneos estados de alma.
Assinar:
Postagens (Atom)
