Um pouco de tudo.Livros, viagens, passatempos, pensamentos... Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidencia
segunda-feira, junho 22, 2009
quarta-feira, junho 17, 2009
Saudades de ser médico
Por vezes assalta-me esta nostalgia. Do tempo em que na relação não se intrometia uma equipa de técnicos, 3 ou 4 administradores, "guidelines", orçamentos, planos quinquenais, produtividade, meta-análises, custo-benefício. Do diagnóstico que se fazia olhos nos olhos usando os sentidos e a sensibilidade. Do doente que não exigia TAC, RNM, video-eeg, PET. Como doente estarei porventura mais protegido? Se todos os exames forem normais acabará o meu problema quer como doente quer como médico?
quinta-feira, junho 11, 2009
Quase de saida do barranco
Despedida de um outono sereno e frio para um fim de primavera que desejo quente. Do novo para o velho mundo. De um eu para outro. E o rio correndo inexorável para "mar de la plata"...
terça-feira, junho 09, 2009
Vícios circulares
Dei comigo a pensar que há vícios que se saciam como a sede e há outros que se autoalimentam como os "lobbies".
terça-feira, junho 02, 2009
Ainda no barranco do rio Paraná
Depois de uma madrugada de patos "colorados" (os mais lindos) lendo Luís Rosa e o dia de Aljubarrota. Deixando-me embalar pelo português quase arcaico sem tentar entender cada palavra. Enquanto tento perceber o que nos separa do espanhol que me rodeia passados quase 700 anos.
sexta-feira, maio 29, 2009
Num barranco do rio Paraná lendo Roth
O animal moribundo com o rio correndo inexorável aos pés. As flechas certeiras do tempo, da justificação e do imaginário.É provável que seja um livro que não se deva terminar. Mas para imaginar finais de acordo com os momentaneos estados de alma.
sábado, abril 25, 2009
Quanto tempo duram as linhas paralelas ?
Duas linhas nunca começam paralelas. Primeiro é natural que se encontrem, se entrelacem, se confundam. Depois começa o caminhar lado a lado com os olhos no horizonte que se confunde facilmente com o infinito. Uma força e energia invisível mantem a distancia e os objectivos. Mas também a divergência não surge de repente. Apenas como algumas incursões a solo que rapidamente conduzem á gravitação da tal força. Até um dia.....
segunda-feira, abril 13, 2009
Orgulho sem preconceito
Nunca tive de sair por a isso ser forçado. Resisti aos vendavais ás tormentas e aos amigos. Á destruição, á calunia e á maldade. Á hipocrisia e á ganancia. Ao desamor e á paixão. A tudo sobrevivi com sofrimento mas sem vacilar. Agora que os últimos ecos se vão esmorecendo saio porque quero...sem vacilar e sem rancor. Sem dobrar.Por opção, sem estratégia e sem mensagem.
sábado, abril 11, 2009
Quantos anos tem a tempestade?
Desci da bicicleta para descansar antes de iniciar os 20 quilómetros que me faltavam para voltar a casa. Num canal estreito dois homens descarregavam para a margem de junco a safra de moliço do dia, que se ia juntar ainda brilhante ao pé do mais antigo que fumegava tranquilo.
A conversa que início, perguntas de circunstancia, e as respostas sincopadas de quem se vê interrompido no seu trabalho. Respostas avaliadas e pensadas a que não ligo grande importância.
Entretanto as nuvens adensam-se numa escuridão que prenuncia a tormenta.
- Bem, vou andando que desta molha já não me livro- disse olhando algo desconsolado para os finos pneus e montando na bicicleta. Pensava que o diálogo tinha terminado. Já tinha virado as costas e começado a afastar-me quando uma última frase me atingiu. tão inesperada como um raio:
- Essa tempestade é mais velha do que nós.
Olhei para trás com o desconforto da cabeça mal virada e num único olhar tentei avaliar a sanidade do homem. E fui sempre pedalando e esperando sentir a agulha do primeiro pingo ou o ressoar de algum trovão. Que nunca mais chegavam. Então entendi que por mais livros que tivesse lido, por mais metereologia que tivesse consumido, por maior sofisticação que presumisse possuir havia coisas simples que não vinham nos livros, que não constavam no vocabulário dos metereologistas e sofisticação que eu nunca seria capaz de atingir.
A tempestade era de facto mais velha do que nós. Aquando da última frase já ela tinha atingido o ponto de não retorno. Se tivesse continuado a falar com ele talvez ele me tivesse explicado que muitas das tempestades que presumi e antecipei já eram mais velhas do que eu...
A conversa que início, perguntas de circunstancia, e as respostas sincopadas de quem se vê interrompido no seu trabalho. Respostas avaliadas e pensadas a que não ligo grande importância.
Entretanto as nuvens adensam-se numa escuridão que prenuncia a tormenta.
- Bem, vou andando que desta molha já não me livro- disse olhando algo desconsolado para os finos pneus e montando na bicicleta. Pensava que o diálogo tinha terminado. Já tinha virado as costas e começado a afastar-me quando uma última frase me atingiu. tão inesperada como um raio:
- Essa tempestade é mais velha do que nós.
Olhei para trás com o desconforto da cabeça mal virada e num único olhar tentei avaliar a sanidade do homem. E fui sempre pedalando e esperando sentir a agulha do primeiro pingo ou o ressoar de algum trovão. Que nunca mais chegavam. Então entendi que por mais livros que tivesse lido, por mais metereologia que tivesse consumido, por maior sofisticação que presumisse possuir havia coisas simples que não vinham nos livros, que não constavam no vocabulário dos metereologistas e sofisticação que eu nunca seria capaz de atingir.
A tempestade era de facto mais velha do que nós. Aquando da última frase já ela tinha atingido o ponto de não retorno. Se tivesse continuado a falar com ele talvez ele me tivesse explicado que muitas das tempestades que presumi e antecipei já eram mais velhas do que eu...
domingo, fevereiro 01, 2009
Bens, opções e Gerações
Há primeiro o sistema monárquico. O filho é protegido até á exaustão em deterimento de outros com maior capacidade e merecimento. Existe um "complot" a dois, por vezes tão descarado que só os próprios não se apercebem do ridículo. Frequentemente a segunda geração sobrevive enquanto o progenitor protege afundando-se depois na mediocridade de que as circunstancias nunca o deixariam sair. Tem um elevado preço portanto.
Depois há várias variantes deste sistema. Escolhe-se por exemplo uma actividade na área de influencia do Pai. Aqui já o "complot" terá de ser a mais de dois, a três , quatro, os que forem precisos. E a necessidade de finas redes de interesses, concessões e cumplicidades por vezes tão intrincadas como a trama dos primeiros livros de Le Carré. São os "monárquicos encapotados" e por isso mais hipócritas do que os primeiros.
É de mais difícil detecção para os de fora. Mas o preço final é o mesmo. Podem atingir altíssimos parâmetros técnicos mas sentem no fundo que lá chegaram por favor. Continuam a não ter vida própria fora dessa rede que os protege da uniformização mas também os prende fora da criatividade, da evolução. E nunca é fácil quebrar uma rede que nos protege sobretudo se houver uma réstia incómoda de consciência e o receio do mundo fora dela que nunca se teve oportunidade de conhecer.
Depois há ainda os outros para quem a influencia economica, política ou profissional do pai nada significa, Ou porque o viu trabalhar arduamente e não quer essa vida. Ou porque na comparação que de si faz com a geração precedente se declarou vencido á partida. Aí resta-lhe esperar, ás vezes escolhendo uns hobbies mais ou menos profissionais como passatempo, até que para si transborde não a competencia, nem a influencia, nem mesmo o protagonismo. Mas apenas o dinheiro. Sobra-lhes na espera o ciume e a envidia. Chegará depois o remorso?
Claro que depois há os outros...os que todos conhecemos e admiramos.
Depois há várias variantes deste sistema. Escolhe-se por exemplo uma actividade na área de influencia do Pai. Aqui já o "complot" terá de ser a mais de dois, a três , quatro, os que forem precisos. E a necessidade de finas redes de interesses, concessões e cumplicidades por vezes tão intrincadas como a trama dos primeiros livros de Le Carré. São os "monárquicos encapotados" e por isso mais hipócritas do que os primeiros.
É de mais difícil detecção para os de fora. Mas o preço final é o mesmo. Podem atingir altíssimos parâmetros técnicos mas sentem no fundo que lá chegaram por favor. Continuam a não ter vida própria fora dessa rede que os protege da uniformização mas também os prende fora da criatividade, da evolução. E nunca é fácil quebrar uma rede que nos protege sobretudo se houver uma réstia incómoda de consciência e o receio do mundo fora dela que nunca se teve oportunidade de conhecer.
Depois há ainda os outros para quem a influencia economica, política ou profissional do pai nada significa, Ou porque o viu trabalhar arduamente e não quer essa vida. Ou porque na comparação que de si faz com a geração precedente se declarou vencido á partida. Aí resta-lhe esperar, ás vezes escolhendo uns hobbies mais ou menos profissionais como passatempo, até que para si transborde não a competencia, nem a influencia, nem mesmo o protagonismo. Mas apenas o dinheiro. Sobra-lhes na espera o ciume e a envidia. Chegará depois o remorso?
Claro que depois há os outros...os que todos conhecemos e admiramos.
segunda-feira, janeiro 12, 2009
sábado, janeiro 10, 2009
Não será verdade mas...
O segundo marido de uma mulher autoritária é muito parecido com o carro que escolhe: grande, utilitário e barato.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Acidente no Deserto
segunda-feira, janeiro 05, 2009
Machado de Assis
"A venalidade,
disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender
a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e
legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o
teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria
consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há
mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue
para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um
privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrado assim o
princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou
pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o
exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a
hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente."
A Igreja do Diabo, de Machado de Assis
disse o Diabo, era o exercício de um direito superior a todos os direitos. Se tu podes vender
a tua casa, o teu boi, o teu sapato, o teu chapéu, coisas que são tuas por uma razão jurídica e
legal, mas que, em todo caso, estão fora de ti, como é que não podes vender a tua opinião, o
teu voto, a tua palavra, a tua fé, coisas que são mais do que tuas, porque são a tua própria
consciência, isto é, tu mesmo? Negá-lo é cair no absurdo e no contraditório. Pois não há
mulheres que vendem os cabelos? não pode um homem vender uma parte do seu sangue
para transfundi-lo a outro homem anêmico? e o sangue e os cabelos, partes físicas, terão um
privilégio que se nega ao caráter, à porção moral do homem? Demonstrado assim o
princípio, o Diabo não se demorou em expor as vantagens de ordem temporal ou
pecuniária; depois, mostrou ainda que, à vista do preconceito social, conviria dissimular o
exercício de um direito tão legítimo, o que era exercer ao mesmo tempo a venalidade e a
hipocrisia, isto é, merecer duplicadamente."
A Igreja do Diabo, de Machado de Assis
sábado, janeiro 03, 2009
TUDO O QUE LUZ É OURO
Por vezes procuramos a simplificação das coisas. Entramos numa relação superficial em que só o aspecto exterior nos interessa. Procuramos uma companhia que não suspeite da profundidade daquilo que pensamos e dizemos. De preferência que nem se aperceba desse mundo que transportamos dentro de nós qual “Esteves sem metafísica...” Alguém a quem o nosso percurso profissional nada diga. Que leia “hollas” e “point de vue” e não perceba porque passamos um ano a ler As Benevolentes. Ou que até ache esse titulo ousado e o tome como provocação pessoal, senão mesmo manifesto sinal de infidelidade.
Ou que procure nos “ Ratos e homens” da estante modelos de armadilhas para acabar com a praga.
Que nos olhe com ar de adoração desmedida mesmo que não passe de miopia ou de dilatação pupilar própria dos olhos claros.
E entramos como personagem numa telenovela quando preferíamos ao menos uma série inglesa. Não por uma questão de cultura mas por ser mais curta
Ou que procure nos “ Ratos e homens” da estante modelos de armadilhas para acabar com a praga.
Que nos olhe com ar de adoração desmedida mesmo que não passe de miopia ou de dilatação pupilar própria dos olhos claros.
E entramos como personagem numa telenovela quando preferíamos ao menos uma série inglesa. Não por uma questão de cultura mas por ser mais curta
sexta-feira, janeiro 02, 2009
Sai-se Devagar do Deserto
Numa imensidão de areia em que nem os horizontes têm fim.
Pouco interessa como aí se chegou. Pela conquista metro a metro de uma longa e deliberada estrada e caminhos? Por uma sucessão de erros e desvios? Por defesa de princípios talvez ultrapassados? Por uma queda vertiginosa?
Qualquer das hipóteses é possível assim como todas elas. De lamentar mesmo é os que não sabem como lá foram parar.
E depois de lá estar, que emoções provoca o deserto? Silencio, solidão. Mas também uma liberdade sem limites, a superação e a sobrevivência.
Mas qualquer que seja o motivo que aí nos transportou e as sensações que nos provoca há um dia em que se começa a procurar o caminho de saída.
Alguns voltam cautelosos, quiçá arrependidos, pelo mesmo caminho que aí os conduziu. Muitos para descobrir que o regresso é apenas a primeira etapa de um círculo que obsessiva e insatisfatóriamente vão percorrer o resto da vida.
Mas já que estamos no deserto imaginemos que procuramos outra saída. Seguimos novos trilhos e novas pistas. Algumas vão desaparecendo de baixo dos nossos pés. Ás vezes parece que lenta e deliberadamente. Noutras o final é brusco e quase agressivo. Outras vão-se desviando e tomando rumos para fora de nós próprios e da rosa dos ventos.
Mas um dia encontraremos uma pista que conduz, simples e quase distraída, a algo que parece ser o fim de um leito seco de um riacho que há muito se perdeu no deserto. Seria irónico que a nossa saída começasse precisamente onde um dia se perdeu a água e a vida.
Vamos seguindo essa suspeita de leito seco que a principio parece tão ténue como a nossa convicção. Depois torna-se mais definido quase como um desejo. Em seguida surge o primeiro arbusto, ainda seco, talvez como a esperança no seu renascimento. A partir dai o leito já é marcado pela presença de pedras que um dia terão rolado das montanhas e aí se quedaram como a tenacidade.As pedras cada vez mais juntas dão mais firmeza aos nossos passos e caminhamos agora num equilíbrio instável. E ao longe aparece a primeira árvore cinzenta e indefinida. que depois se transforma num conjunto aleatório e espaçado. Aí começamos a ter certezas. Estamos de facto num caminho de saída.
Simultaneamente aparece-nos um nómada cuja tribo não conhecemos e as montanhas longínquas que limitam o deserto. O nómada não nos compreende mas a sua presença indica-nos que estamos num caminho que nunca trilhamos. O anel de montanhas abre-nos um vale como porta de saída.
Chegamos ao verdadeiro momento de decisão e percebemos que até aí vivemos apenas para a procura. Entramos nessa porta que se nos abre para fora do deserto mas para algo que desconhecemos? Ou retrocedemos prudentemente (?!)
Imaginemos que aceitamos essa porta, essa nova vida e o desafio. As árvores cinzentas entre cruzam-se agora com o verde ainda envergonhado das primeiras palmeiras. Que as vão progressivamente suplantando em número. É já visível a neve no cimo das montanhas. E não sabemos se o arrepio súbito que sentimos é devido ás longas sombras que sobre nós a montanha projecta ou se é um dos últimos apelos do deserto que nos chama para o seu calor.
No palmeiral cada vez mais denso ouviu-se agora mesmo o o barulho ensurdecedor de um bater de asas da primeira ave e a aldeia materializa-se a partir da terra vermelha.
Daí o percurso é fácil: alcatrão e movimento que recebemos sem tentar interpretar.
Mas para a libertação do feitiço do deserto é preciso um voo. Seja ele o avião para Lisboa seja um golpe de asa poderoso e decisivo. Para sair dele mas mesmo assim ficar mais próximos de nós, com que no seu seio nos reconciliamos.
Do deserto sai-se devagar...
Pouco interessa como aí se chegou. Pela conquista metro a metro de uma longa e deliberada estrada e caminhos? Por uma sucessão de erros e desvios? Por defesa de princípios talvez ultrapassados? Por uma queda vertiginosa?
Qualquer das hipóteses é possível assim como todas elas. De lamentar mesmo é os que não sabem como lá foram parar.
E depois de lá estar, que emoções provoca o deserto? Silencio, solidão. Mas também uma liberdade sem limites, a superação e a sobrevivência.
Mas qualquer que seja o motivo que aí nos transportou e as sensações que nos provoca há um dia em que se começa a procurar o caminho de saída.
Alguns voltam cautelosos, quiçá arrependidos, pelo mesmo caminho que aí os conduziu. Muitos para descobrir que o regresso é apenas a primeira etapa de um círculo que obsessiva e insatisfatóriamente vão percorrer o resto da vida.
Mas já que estamos no deserto imaginemos que procuramos outra saída. Seguimos novos trilhos e novas pistas. Algumas vão desaparecendo de baixo dos nossos pés. Ás vezes parece que lenta e deliberadamente. Noutras o final é brusco e quase agressivo. Outras vão-se desviando e tomando rumos para fora de nós próprios e da rosa dos ventos.
Mas um dia encontraremos uma pista que conduz, simples e quase distraída, a algo que parece ser o fim de um leito seco de um riacho que há muito se perdeu no deserto. Seria irónico que a nossa saída começasse precisamente onde um dia se perdeu a água e a vida.
Vamos seguindo essa suspeita de leito seco que a principio parece tão ténue como a nossa convicção. Depois torna-se mais definido quase como um desejo. Em seguida surge o primeiro arbusto, ainda seco, talvez como a esperança no seu renascimento. A partir dai o leito já é marcado pela presença de pedras que um dia terão rolado das montanhas e aí se quedaram como a tenacidade.As pedras cada vez mais juntas dão mais firmeza aos nossos passos e caminhamos agora num equilíbrio instável. E ao longe aparece a primeira árvore cinzenta e indefinida. que depois se transforma num conjunto aleatório e espaçado. Aí começamos a ter certezas. Estamos de facto num caminho de saída.
Simultaneamente aparece-nos um nómada cuja tribo não conhecemos e as montanhas longínquas que limitam o deserto. O nómada não nos compreende mas a sua presença indica-nos que estamos num caminho que nunca trilhamos. O anel de montanhas abre-nos um vale como porta de saída.
Chegamos ao verdadeiro momento de decisão e percebemos que até aí vivemos apenas para a procura. Entramos nessa porta que se nos abre para fora do deserto mas para algo que desconhecemos? Ou retrocedemos prudentemente (?!)
Imaginemos que aceitamos essa porta, essa nova vida e o desafio. As árvores cinzentas entre cruzam-se agora com o verde ainda envergonhado das primeiras palmeiras. Que as vão progressivamente suplantando em número. É já visível a neve no cimo das montanhas. E não sabemos se o arrepio súbito que sentimos é devido ás longas sombras que sobre nós a montanha projecta ou se é um dos últimos apelos do deserto que nos chama para o seu calor.
No palmeiral cada vez mais denso ouviu-se agora mesmo o o barulho ensurdecedor de um bater de asas da primeira ave e a aldeia materializa-se a partir da terra vermelha.
Daí o percurso é fácil: alcatrão e movimento que recebemos sem tentar interpretar.
Mas para a libertação do feitiço do deserto é preciso um voo. Seja ele o avião para Lisboa seja um golpe de asa poderoso e decisivo. Para sair dele mas mesmo assim ficar mais próximos de nós, com que no seu seio nos reconciliamos.
Do deserto sai-se devagar...
O Haman
Em Marrocos, final do ano de 2008. Trinta e um anos depois da primeira visita não se pode dizer que Marraquesh tenha parado no tempo. Antes que parou na história enquanto a minha fluiu. Éramos 4 na altura, dos quais apenas um resta. Mesmo esse tinha uma vida para cumprir mas voltou. Tão diferente mas ainda tão previsível como os encantadores de serpentes e os vendedores de água de trajos garridos na Praça. Fiz uma incursão pelos novos bairros, estilizados e quase elegantes, mas foi ainda e mais uma vez a Medina e a sua confusão que me atraiu. Entre as duas visitas corri algum mundo. Satisfiz algumas ambições. Cumpri algumas promessas e alguns desejos.
Voltei mais só agora do que quando eramos 4. A um. Quase o mesmo que a dois. Apesar do fluir da minha história algo nesse aspecto se mantém, não como praga ou maldição mas talvez como opção nebulosa. Como a deste retornar á praça e á Medina.
Mas o hotel agora tem um SPA. Sauna, massagem e Hamam. Hamam? "c'est un truc humide" explicam-me.
Pensei que tivessem algum problema com os turcos (vá-se lá saber entre árabes) e preparei-me para o tradicional banho de vapor. Ao abrir a porta não se me deparou, contudo, a tal nuvem que esperava. Apenas uma sala grande forrada a mármore, uns bancos corridos de pedra e uma minúscula fonte num dos extremos. Que subitamente começou a jorrar água quente. Desiludi-me momentaneamente: torneiras também tenho lá em casa. Mas cedo a água extravasou a pia da fonte e vai inundando o enorme chão de pedra. Ainda penso em chamar a massagista com a ideia de qualquer avaria muito comum por aquelas bandas. Mas á medida que a água me chega ao chinelos e começa a subir até ao tornozelo começo a perceber ou a julgar entender. Depois do deserto, da secura, da aridez a luxúria da água até ao desperdício. Será este estranho contraste que leva as pessoas a voltar aos mesmo sítios? O hamam como recompensa do deserto mas ao mesmo mesmo tempo ressuscitando pelo excesso o desejo de aí voltar? E já agora, será a vida algo que se vive entre 2 hamans ou apenas neles?
Voltei mais só agora do que quando eramos 4. A um. Quase o mesmo que a dois. Apesar do fluir da minha história algo nesse aspecto se mantém, não como praga ou maldição mas talvez como opção nebulosa. Como a deste retornar á praça e á Medina.
Mas o hotel agora tem um SPA. Sauna, massagem e Hamam. Hamam? "c'est un truc humide" explicam-me.
Pensei que tivessem algum problema com os turcos (vá-se lá saber entre árabes) e preparei-me para o tradicional banho de vapor. Ao abrir a porta não se me deparou, contudo, a tal nuvem que esperava. Apenas uma sala grande forrada a mármore, uns bancos corridos de pedra e uma minúscula fonte num dos extremos. Que subitamente começou a jorrar água quente. Desiludi-me momentaneamente: torneiras também tenho lá em casa. Mas cedo a água extravasou a pia da fonte e vai inundando o enorme chão de pedra. Ainda penso em chamar a massagista com a ideia de qualquer avaria muito comum por aquelas bandas. Mas á medida que a água me chega ao chinelos e começa a subir até ao tornozelo começo a perceber ou a julgar entender. Depois do deserto, da secura, da aridez a luxúria da água até ao desperdício. Será este estranho contraste que leva as pessoas a voltar aos mesmo sítios? O hamam como recompensa do deserto mas ao mesmo mesmo tempo ressuscitando pelo excesso o desejo de aí voltar? E já agora, será a vida algo que se vive entre 2 hamans ou apenas neles?
terça-feira, dezembro 23, 2008
Apenas Ficção (parte 3)
O tempo passou, cresceu, foi pai, mas não se fez homem. Como deve ser difícil lutar tendo apenas uma imagem de si próprio desvalorizada e ambígua em contraponto a outra que lhe serviu de forma.
Novamente errou nos propósitos e foi desajustado nos actos.
Novamente errou nos propósitos e foi desajustado nos actos.
A imagem a combater era forte? Não tem importância: desvaloriza-se e colamos-lhe diagnósticos. Por alguma razão tirou um curso de medicina não?! Isso criaria problemas deontológicos da classe que ao longo de 6 gerações os seus avós foram defendendo? Resolve-se! Assume ter nascido de geração espontânea. É difícil aceitar a honestidade nos outros? Nada de grave, reforça os traços de personalidade e desconfia de tudo e todos. Sobretudo de formas. De desconfiança em desconfiança voltou ao tontinho inócuo a quem todos davam uma moeda para o café. Que foi onde tudo começou. E foi onde ele terminou.
sábado, abril 26, 2008
É tão ténue a linha: último post- amigos até ao fim

É tão ténue a linha entre o saber e o ter a certeza...entre a paixão e o ódio... entre a atitude defensiva e a vingança desenfreada...entre o querer e o ser...entre a miragem e a realidade...entre o deserto e a Cruz de Celas...
Continua a sorrir ainda que de olhos fechados....a tua miragem sobreviverá em nós. E tudo fará sentido ?!
sábado, abril 05, 2008
A Viagem

Era uma viagem longa e cansativa que aproveitou para ler uma revista ilustrada, para tricotar um pequeno casaco azul e para se deixar embalar nas suas recordações, nos seus anseios e no futuro ser que a despertava com lentos, repetidos e fluidos pontapés dentro do seu ventre.
As paragens eram múltiplas assim como os pregões das vendedoras que lhe chegavam distantes, proféticos e intervalados….Água fresca repetidamente anunciada…barricas de ovos moles…arrufadas de Coimbra…
Finalmente o longo túnel que conduzia á estação do Rossio
sexta-feira, abril 04, 2008
Primórdios

Setembro de 1947
O Outono adiava-se num fim de verão sereno e prolongado. De uma pequena estação de caminho de ferro, forrada com painéis de azulejos ingénuos, azuis e amarelos, escutava-se já um arfar rápido e ritmado que anunciava á distancia a chegada do comboio. No cais uma mulher jovem esperava.
Daí a pouco esse arfar tornou-se mais lento, forte e sincopado logo abafado por um ranger de ferros e gemido de travões. Ao ruído juntou-se um nevoeiro de fumo cortado pelos relampagos das faíscas que saiam das sofridas rodas metálicas e da chaminé.
O comboio para Lisboa tinha chegado.
Alguém observava de uma janela próxima a figura daquela mulher jovem. Costas largas e direitas, vestido azul e comprido, cabelo negro com o brilho da noite. Enquanto o revisor ajustava o pequeno banco de acesso á carruagem de 1ª, a imagem agora de perfil deu-lhe oportunidade de ver uns enormes olhos castanhos e atentos e o perfil agradável do rosto. E o estado de adiantada gravidez.
sábado, janeiro 12, 2008
O novo livro do MST
O mínimo que se pode dizer, e já não é pouco, é que aprendeu provavelmente com as críticas ao primeiro. Já não matou levianamente nenhum personagem principal. Nem mesmo na guerra em Espanha. Mutilou-o. Apenas o suficiente para não lhe impossibilitar a caça ás perdizes. ((A propósito MST: há 80 anos atrás a última coisa que os caçadores discutiriam na véspera da caça seriam os choques das espingardas! Não havia quick-chokes imagine! Coisas de escritor e caçador recente)
Deve-se dizer em abono da verdade que se tornou mais inventivo nas cenas eróticas e na descrição das mulheres.
Mas a pobreza psicológica das personagens( deverão ser as que conhece) e das descrições ! Uma desilusão. A profundidade do que tem para dar é pouca.
Ressalve-se contudo o esforço educativo que faz para explicar aos menos eruditos algumas palavras, incluindo no texto verdadeiras notas de rodapé. Estes factos envolvidos em lugares comuns constantes fazem dele um escritor não muito mais elaborado que o locutor do telejornal.
Que desperdício este grande defensor das liberdades individuais perder 2 anos da sua vida fechado em casa para "parir um rato"
Deve-se dizer em abono da verdade que se tornou mais inventivo nas cenas eróticas e na descrição das mulheres.
Mas a pobreza psicológica das personagens( deverão ser as que conhece) e das descrições ! Uma desilusão. A profundidade do que tem para dar é pouca.
Ressalve-se contudo o esforço educativo que faz para explicar aos menos eruditos algumas palavras, incluindo no texto verdadeiras notas de rodapé. Estes factos envolvidos em lugares comuns constantes fazem dele um escritor não muito mais elaborado que o locutor do telejornal.
Que desperdício este grande defensor das liberdades individuais perder 2 anos da sua vida fechado em casa para "parir um rato"
Pré-reforma 2
Poder-se-á abdicar da emoção pelo risco, do protagonismo e do poder por um simples acto de vontade? Ou será uma racionalização antecipada do inexorável?
domingo, janeiro 06, 2008
Pre-reforma 1
Os dois carros aproximavam-se rapidamente da curva, lado a lado. O último a travar teria uma possibilidade de passar para a dianteira ou seguir em frente num despiste sem outras consequências que a perda da corrida e a ferida no orgulho.
O sobreiro cresceu ao longo de séculos. Outros mais velhos, que lhe faziam sombra foram pouco a pouco desaparecendo. Tornou-se então o ponto mais alto e de referencia naquela elevação de terreno.
O veado acabou a sua última luta dessa brama. Os adversários feridos e humilhados afastaram-se enquanto as corsas levianamente o seguiam até á profundidade da floresta.
Emoção do risco, protagonismo e poder. Inebriante, esmagador mas efémero.
Um dia o piloto travará mais cedo... o sobreiro ver-se-á ultrapassado em altura... e o veado encontrará o seu destino.
O sobreiro cresceu ao longo de séculos. Outros mais velhos, que lhe faziam sombra foram pouco a pouco desaparecendo. Tornou-se então o ponto mais alto e de referencia naquela elevação de terreno.
O veado acabou a sua última luta dessa brama. Os adversários feridos e humilhados afastaram-se enquanto as corsas levianamente o seguiam até á profundidade da floresta.
Emoção do risco, protagonismo e poder. Inebriante, esmagador mas efémero.
Um dia o piloto travará mais cedo... o sobreiro ver-se-á ultrapassado em altura... e o veado encontrará o seu destino.
segunda-feira, junho 11, 2007
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Uma Caçada ao Patos
CAÇADA AOS PATOS
O sol não emergira ainda, mal se adivinhando, por uma claridade difusa e fria o seu futuro trajecto. Do outro lado, num escuro impenetrável, o ruido inconfundível da marcha dos cavalos. Que só a curta distancia se materializam com o seu volume e o cheiro a suor e couro.
O esforço, já difícil, pé no estribo seguida daquela sensação de insegurança e excitação mas o corpo moldando-se quase atávicamente á sela e ao movimento.
Os primeiros passos, ainda em terra firme, em simbiose, guiados um pelo instinto outro pela confiança. Pouco depois o espelho de água, reflectindo as estrelas e a claridade difusa. E a modificação do som dos passos: o chapinhar esforçado dos cascos vencendo a lama, a água e a distancia. Os juncos altos em ilhas cada vez mais cerradas são contornados laboriosamente enquanto possível. O Hugo á nossa frente, vai desviando e liderando o pequeno grupo. Agora as ilhas de junto tranformam-se num imenso e negro plasma que vamos atravessando e que quase nos arranca da sela.
Pouco a pouco o pantano vai acordando. Primeiro um rápido e impreciso bater de asas de algo que levanta para logo se esconder. Depois um canto tímido quase envergonhado vai ganhando vulto e companhia até se tornar uma sinfonia imperfeita que nos envolve num abraço de vida.
Adivinha-se agora o nascer do sol por uma cor mais vermelha e por um arrepio de frio que atravessa o ar.
O cavalo mantem-se no seu ritmo irregular, quase dançando ao som da tal sinfonia imperfeita. Fecho os olhos tentando perceber se é sonho, ou mesmo tentando não acordar nem sequer entender.
A opressão no peito, agora benigna, apaga todas as outras de um passado muito próximo.
O ganso! O cantar do ganso...Ultrapassa no seu tom roufenho e algo ridículo todas as palavras, todas as dúvidas e todas as questões. Enquanto o primeiro raio de sol descobre uma lagrima no canto do olho.... Que com ou sem sonho, com ou sem dúvidas, medos ou perguntas o coração do pantano bate pelo meu, o seu som ritmiza-se ao sabor da paz, da tal sinfonia que de tão melódica se fez imperfeita.
Atravessamos agora uma vasta extensão de água, sem limites, sem obstáculos, sem luzes nem sombras.
E escuta-se o primeiro tiro.
O sol não emergira ainda, mal se adivinhando, por uma claridade difusa e fria o seu futuro trajecto. Do outro lado, num escuro impenetrável, o ruido inconfundível da marcha dos cavalos. Que só a curta distancia se materializam com o seu volume e o cheiro a suor e couro.
O esforço, já difícil, pé no estribo seguida daquela sensação de insegurança e excitação mas o corpo moldando-se quase atávicamente á sela e ao movimento.
Os primeiros passos, ainda em terra firme, em simbiose, guiados um pelo instinto outro pela confiança. Pouco depois o espelho de água, reflectindo as estrelas e a claridade difusa. E a modificação do som dos passos: o chapinhar esforçado dos cascos vencendo a lama, a água e a distancia. Os juncos altos em ilhas cada vez mais cerradas são contornados laboriosamente enquanto possível. O Hugo á nossa frente, vai desviando e liderando o pequeno grupo. Agora as ilhas de junto tranformam-se num imenso e negro plasma que vamos atravessando e que quase nos arranca da sela.
Pouco a pouco o pantano vai acordando. Primeiro um rápido e impreciso bater de asas de algo que levanta para logo se esconder. Depois um canto tímido quase envergonhado vai ganhando vulto e companhia até se tornar uma sinfonia imperfeita que nos envolve num abraço de vida.
Adivinha-se agora o nascer do sol por uma cor mais vermelha e por um arrepio de frio que atravessa o ar.
O cavalo mantem-se no seu ritmo irregular, quase dançando ao som da tal sinfonia imperfeita. Fecho os olhos tentando perceber se é sonho, ou mesmo tentando não acordar nem sequer entender.
A opressão no peito, agora benigna, apaga todas as outras de um passado muito próximo.
O ganso! O cantar do ganso...Ultrapassa no seu tom roufenho e algo ridículo todas as palavras, todas as dúvidas e todas as questões. Enquanto o primeiro raio de sol descobre uma lagrima no canto do olho.... Que com ou sem sonho, com ou sem dúvidas, medos ou perguntas o coração do pantano bate pelo meu, o seu som ritmiza-se ao sabor da paz, da tal sinfonia que de tão melódica se fez imperfeita.
Atravessamos agora uma vasta extensão de água, sem limites, sem obstáculos, sem luzes nem sombras.
E escuta-se o primeiro tiro.
domingo, novembro 19, 2006
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Uma semana da ilha do Sal
Em Lisboa nevava. Pouco mais de 3 horas de avião e um strip progressivo: casaco, camisola, mangas da camisa arregaçadas.O progresso que se nota passados quase 15 anos. Hoteis de mais de 500 quartos. Urbanizações em projecto ou em construção. A recordação de certo Algarve e a noção que pouco restará, num futuro próximo, daquela tranquilidade e daquele contacto simples com a natureza. Sempre mais longe no tempo e na distancia...
domingo, janeiro 22, 2006
As árvores morrem deitadas
O Alentejo verde e anormalmente quente de final de Janeiro. O descanso satisfeito num tronco triste de sobreiro caído. Em frente, outro de uma simetria quase perfeita. O silencio ligeiro quebrado pelo protesto de um ramo que resiste e suporta ainda toda a árvore que em tempos lhe deu vida. A cada gemido mais se acentuava a obstinação mas mais se esgotava a resistência. De súbito, sem dobrar, partiu-se apenas, com um som mais grave e definitivo. E a árvore que em tempo o suportou e que ele tinha amparado de forma passiva já sem vida, rodou tão devagar como o fluir dos séculos do seu cerne, até jazer, agora de vez, na terra pobre e arenosa. E o Alentejo regressou verde e quente. E a última gota do orvalho da manhã brilhou ao sol, nas folhas indecisas do renovo.
PS- Não tem metáforas. Apenas aconteceu no descanso, a meio de uma caçada, ontem, algures no Alentejo.
PS- Não tem metáforas. Apenas aconteceu no descanso, a meio de uma caçada, ontem, algures no Alentejo.
segunda-feira, janeiro 09, 2006
debaixo do equador
Mas é justamente aí em S.Tomé que o drama começa e a paixão nasce.Paixão pelos direitos humanos? Era essa uma das incumbências de El-Rei para o herói. Limita-se se bem me lembro a visitar algumas roças e a salvar um indígena. Nunca foi ultrapassado pela situação porque nunca apresentou nem sequer pensou num plano lógico para inverter a escravatura real em que viviam os angolanos que para lá eram transferidos contra a sua vontade.Apaixonar apaixonou-se pela linda inglesa. O que daria até algum significado a outras lutas políticas que nunca o autor soube sequer enunciar. E já agora MST foi destacado há alguns anos, numa sondagem, como um símbolo sexual das mulheres portuguesas (sobretudo as casadas). Ora para um símbolo desses a imaginação (ou falta dela) demonstrada nas cenas mais picantes com uma loira tostada pelo sol, numa paisagem paradisíaca, praia deserta e a perder de vista, vento murmurando nos coqueiros a imaginação dizia, é muito indigente. Limitava-se por duas ou 3 vezes a enterrar a cabeça nos seios, porventura fartos e com outros atributos que se terá esquecido porventura de mencionar ou de notar.
Mas e o fim? No fim meus amigos...o herói morreu. Dizia Gabriel Garcia Marquez (no vivir para contar-la) algo como " nunca mates um personagem se não tiveres uma razão poderosa para isso".Terá ele morrido às balas da polícia à frente dos negros que devia proteger e que lutavam pela sua liberdade? Não. Terá ele sido vítima de envenenamento palaciano devido a ser incómodo para o capitalismo desenfriado? Também não. Terá ele morrido por uma causa? Também não. Suicidou-se tranquilamente. In style.
Quer-me parecer que para suicídio e sobretudo do herói teria Gabriel Garcia Marquez palavras ainda mais reticentes.
Fica a dúvida porque se terá o herói matado. Seria por ter descoberto a sua total inabilidade para a tarefa que o incumbiram e que nem sequer iniciou?Será que se teria suicidado da mesma forma, se em vez de encontrar a amante na cama com um negro a encontrasse com um capataz da roça ou mesmo com o marido?Ou seria porque o livro já ia longo e não sabia o que fazer com um personagem que começa como um cínico em Lisboa, continua como um incapaz e termina como um fraco?Felizmente o Equador não é autobiográfico...
PS: já agora sugeria que para a próxima edicção cortassem a verdadeira invasão de " enquanto que" que alaga o texto.
Mas e o fim? No fim meus amigos...o herói morreu. Dizia Gabriel Garcia Marquez (no vivir para contar-la) algo como " nunca mates um personagem se não tiveres uma razão poderosa para isso".Terá ele morrido às balas da polícia à frente dos negros que devia proteger e que lutavam pela sua liberdade? Não. Terá ele sido vítima de envenenamento palaciano devido a ser incómodo para o capitalismo desenfriado? Também não. Terá ele morrido por uma causa? Também não. Suicidou-se tranquilamente. In style.
Quer-me parecer que para suicídio e sobretudo do herói teria Gabriel Garcia Marquez palavras ainda mais reticentes.
Fica a dúvida porque se terá o herói matado. Seria por ter descoberto a sua total inabilidade para a tarefa que o incumbiram e que nem sequer iniciou?Será que se teria suicidado da mesma forma, se em vez de encontrar a amante na cama com um negro a encontrasse com um capataz da roça ou mesmo com o marido?Ou seria porque o livro já ia longo e não sabia o que fazer com um personagem que começa como um cínico em Lisboa, continua como um incapaz e termina como um fraco?Felizmente o Equador não é autobiográfico...
PS: já agora sugeria que para a próxima edicção cortassem a verdadeira invasão de " enquanto que" que alaga o texto.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Na periferia do Equador
No ano que agora terminou muitas vezes ouvi falar de 2 livros. Num deles, o Código de daVinci terá de se reconhecer que foram utilizados todos os truques literários para prender a atenção. E prendeu, ao ponto de algumas pessoas cujo discernimento não punha em causa até então, confundirem a ficção com a realidade. Daria um interessante estudo genético a procura dos genes divinos no Y do Espírito Santo!
Mas do que queria falar era mesmo do Equador. Devo dizer em primeiro lugar que apreciei em tempos o MST, na reportagem e mais ainda como entrevistador de televisão. Parecia trazer um género descontraído, perguntas com senso, que quase faziam esquecer um certo ar "negligé snob".
Até que cheguei á leitura do Equador. Enorme como o paralelo de que tem o nome.
O período histórico escolhido tinha enormes potencialidades. O snobismo transparecia um pouco quando dedicou várias páginas à Purdey (uma das armas de caça mais caras e aristocráticas) de forma algo panfletária. Mas isso seria desculpável num caçador de tão recente data.
A parte do romance passado na Índia prende o leitor embora a história do jogador caído em desgraça seja tão velha como a literatura e seguramente já tratada por outros autores com muito maior fôlego. Daí o não se ter preocupado minimamente com o perfil psicológico do jogador. Mas o fundo moralista do pecado-castigo, do MST também já era bem conhecido. Quando não se entende condena-se convenientemente. Neste caso a um exílio em S. Tomé e Príncipe.
Salva-se desta fase a magnífica e escultural inglesa curtida pelo sol do subcontinente.
Que o seu herói encontra justamente nessas ilhas do equador
(tem continuação)
No ano que agora terminou muitas vezes ouvi falar de 2 livros. Num deles, o Código de daVinci terá de se reconhecer que foram utilizados todos os truques literários para prender a atenção. E prendeu, ao ponto de algumas pessoas cujo discernimento não punha em causa até então, confundirem a ficção com a realidade. Daria um interessante estudo genético a procura dos genes divinos no Y do Espírito Santo!
Mas do que queria falar era mesmo do Equador. Devo dizer em primeiro lugar que apreciei em tempos o MST, na reportagem e mais ainda como entrevistador de televisão. Parecia trazer um género descontraído, perguntas com senso, que quase faziam esquecer um certo ar "negligé snob".
Até que cheguei á leitura do Equador. Enorme como o paralelo de que tem o nome.
O período histórico escolhido tinha enormes potencialidades. O snobismo transparecia um pouco quando dedicou várias páginas à Purdey (uma das armas de caça mais caras e aristocráticas) de forma algo panfletária. Mas isso seria desculpável num caçador de tão recente data.
A parte do romance passado na Índia prende o leitor embora a história do jogador caído em desgraça seja tão velha como a literatura e seguramente já tratada por outros autores com muito maior fôlego. Daí o não se ter preocupado minimamente com o perfil psicológico do jogador. Mas o fundo moralista do pecado-castigo, do MST também já era bem conhecido. Quando não se entende condena-se convenientemente. Neste caso a um exílio em S. Tomé e Príncipe.
Salva-se desta fase a magnífica e escultural inglesa curtida pelo sol do subcontinente.
Que o seu herói encontra justamente nessas ilhas do equador
(tem continuação)
segunda-feira, dezembro 26, 2005
O Natal dos Presentes
Ouço e leio opiniões divergentes. O natal dos bons sentimentos, do Mr Scroodge depois do espírito dos natais futuros, das promessas e do altruísmo. Encontro o natal dos ódios, dos distanciamentos e das mensagens de silêncio. Da retaliaçãoo em nome do amor e da paixão. Reencontro-me na memória dos desaparecidos e no calor dos presentes. Não se convencionou que esta é uma época de presentes?!
Ouço e leio opiniões divergentes. O natal dos bons sentimentos, do Mr Scroodge depois do espírito dos natais futuros, das promessas e do altruísmo. Encontro o natal dos ódios, dos distanciamentos e das mensagens de silêncio. Da retaliaçãoo em nome do amor e da paixão. Reencontro-me na memória dos desaparecidos e no calor dos presentes. Não se convencionou que esta é uma época de presentes?!
segunda-feira, dezembro 19, 2005
sábado, agosto 13, 2005
A fácil dedução
Um dia, quem sabe, (?) acordarás com a plena consciência do que fizeste. Das razões fúteis para a mentira e a para a traição. Não te dará espaço ou não haverá tempo para o arrependimento. Mas a vida ser-te-á curta para a lenta consumação do remorso.
quinta-feira, julho 14, 2005
Da indecisão aos princípios
A indecisão marcou-a desde muito cedo. Só se tornou no entanto notória quando deu consigo a não conseguir dar o passo seguinte, por altura de uma adolescência precoce. As horas que passava na indecisão de mover apenas um pé retinham-na prisioneira no seu quarto e nela própria. Terá então descoberto um dia a solução dos "princípios". De justiça? Claro. De noção de honra e lealdade? Evidentemente! Pela defesa dos seus "princípios" todos os passos eram possíveis. Dos princípios fez motor de pesquisa. Dos princípios ficou prisioneira. Não já do quarto mas ainda dela própria.
(continua com "Dos Princípios á realidade virtual")
(continua com "Dos Princípios á realidade virtual")
Apenas ficção (parte 2)
Por volta dos 10 anos resolveu fazer a sua escolha. Seria homossexual quando fosse grande anunciou contra tudo e sem que ninguém o pressionasse. Numa altura em que todos sentem dúvida e procuram, concluiu apenas por uma das vertentes de si próprio. Apressadamente como se quisesse assumir desde logo o compromisso. Terá confundido as sombras que o assustavam e perseguiam com o seu próprio ser? O que é seguro é que foi de encontro aos seus receios e identificou-se, rendeu-se. Mas...ainda e sempre a comparação com os outros. E sobretudo as miragens. Não encaixava certamente no papel que para ele tinha sonhado a vendedora de miragens.(tem continuação)
Por volta dos 10 anos resolveu fazer a sua escolha. Seria homossexual quando fosse grande anunciou contra tudo e sem que ninguém o pressionasse. Numa altura em que todos sentem dúvida e procuram, concluiu apenas por uma das vertentes de si próprio. Apressadamente como se quisesse assumir desde logo o compromisso. Terá confundido as sombras que o assustavam e perseguiam com o seu próprio ser? O que é seguro é que foi de encontro aos seus receios e identificou-se, rendeu-se. Mas...ainda e sempre a comparação com os outros. E sobretudo as miragens. Não encaixava certamente no papel que para ele tinha sonhado a vendedora de miragens.(tem continuação)
quinta-feira, junho 16, 2005
Laboratório de vida
Uma vida cheia de intimidade e de partilha. A possibilidade de perceber e aprender com os sentimentos, a sensibilidade, os erros, os defeitos e a coragem dos outros.Exemplos de resistência e exemplos de debilidade. De amor e ódio. De desinteresse e de ganância. De fria ponderação e de explosão descontrolada. Todos eles coexistindo num meio próximo, num tempo curto, muitas vezes na mesma pessoa.
quarta-feira, junho 15, 2005
Apenas ficção (parte 1)
Por pura distracção do destino nasceu na véspera de Natal. Cabeça grande, braços desproporcionadamente longos, olhos indefinidos. Que coisa feia comentou o avô com a experiencia de parteiro de mil partos e a franqueza de médico de família que de costume amenizava atrás de uma reconhecida sensibilidade. Foi apesar disso crescendo e tomando consciência do seu corpo, como de resto todas as crianças.
E começou a manipular objectos que, renitentemente, tinham uma relação instável e insegura com ele. Partiam-se, estragavam-se, deterioravam-se, imagine-se até que se desintegravam. Sem qualquer esforço aparente mas com consequências desastrosas. Mais para a sua própria personalidade que para a economia doméstica. Compensava no entanto este pormenor de somenos importância com uma imaginação produtiva e uma rara agudeza de raciocínio. Na sua mente podia manipular os acontecimentos e os objectos virtuais à vontade. Eles moviam-se à velocidade da luz para onde quisesse nas mais incríveis e inimagináveis trajectórias. Incólumes.
Chegou depois à idade de apreciar os outros. Os braços, a destreza, o carácter. Daí nasceu primeiro a consciência da diferença. Depois a admiração. No meio permaneceu a inveja. A revolta apareceu mais tarde. A raiva era apenas um escape ocasional.
Por essa altura o “morcego vermelho” era o seu herói e modelo. Mas todos temos também um pesadelo e uma consubstanciação do medo daquilo que não nos queremos sentir nem ser. E aconteceu transformar um inócuo tontinho do bairro a quem todos davam uma moeda para o café, nessa sombra persecutória e aterradora.
E começou primeiro a evita-lo. Depois a fugir e a esconder-se. Depois a desconfiar de todas as sombras. Nunca chegou a perceber se fugia apenas dele próprio.
E começou a manipular objectos que, renitentemente, tinham uma relação instável e insegura com ele. Partiam-se, estragavam-se, deterioravam-se, imagine-se até que se desintegravam. Sem qualquer esforço aparente mas com consequências desastrosas. Mais para a sua própria personalidade que para a economia doméstica. Compensava no entanto este pormenor de somenos importância com uma imaginação produtiva e uma rara agudeza de raciocínio. Na sua mente podia manipular os acontecimentos e os objectos virtuais à vontade. Eles moviam-se à velocidade da luz para onde quisesse nas mais incríveis e inimagináveis trajectórias. Incólumes.
Chegou depois à idade de apreciar os outros. Os braços, a destreza, o carácter. Daí nasceu primeiro a consciência da diferença. Depois a admiração. No meio permaneceu a inveja. A revolta apareceu mais tarde. A raiva era apenas um escape ocasional.
Por essa altura o “morcego vermelho” era o seu herói e modelo. Mas todos temos também um pesadelo e uma consubstanciação do medo daquilo que não nos queremos sentir nem ser. E aconteceu transformar um inócuo tontinho do bairro a quem todos davam uma moeda para o café, nessa sombra persecutória e aterradora.
E começou primeiro a evita-lo. Depois a fugir e a esconder-se. Depois a desconfiar de todas as sombras. Nunca chegou a perceber se fugia apenas dele próprio.
terça-feira, junho 14, 2005
sábado, maio 21, 2005
segunda-feira, março 21, 2005
A VENDEDORA DE MIRAGENS
Ninguem, e muito menos ela própria, sabe bem como tudo terá começado.
Há quem suspeite da terra ressequida e árida em que nasceu. A favor desta hipótese os antigos que se lembram de a ver, bem pequena e triste, quase sempre de olhos fechados. Mas mesmo os pincipais opositores desta teoria recordam, não sabem bem se num dia ou numa época. Ou mesmo num inverno frio, seco e cinzento. O que é certo é que ela começou a sorrir. Ainda que e só com os olhos fechados. E lembram-se, não por ser um sorriso terno e quente de criança. Surgia do nada, congelava por uns momentos e depois desfazia-se deixando apenas uma sugestão, uma dúvida, quase um desencanto...
Ela dirá que nessa altura começou a viver. Lentamente a areia e o deserto ganhavam cor. O ar quente enchia-se de um odor quase enjoativo a plantas exóticas e a flores murchas. Cedo no entanto começou a saber corrigir estes excessos. Os excessos de cor, os excessos de luz... Pena mesmo era que quando abria os olhos tudo desaparecia. Pior ainda que as outras pessoas pareciam não ter conhecimento desse seu mundo.
Foi então que, sem saber como, começou a partilhar as suas miragens. No início quase a medo como quem conta uma história de fadas, como algo de irreal, distante, impossível.
Serviu esta fase, passageira e pouco importante, para descobrir como as pessoas gostavam de histórias.E, revelação surpreendente, como ela propria se alimentava delas.
Mas, terá sentido nessa altura, as histórias que contava eram apenas um reflexo insatisfatório. Algo como um raio de sol que cega e ilude mas que não lhe pertencia por muito tempo.
Teria mesmo era de se incluir na história. As primeiras tentativas foram desengonçadas. Inábeis. Depois, procurando ávidamente agora os olhos das pessoas, foi pouco a pouco eliminando tambem os excessos dela própria. Construindo golpe a golpe a imagem que os outros aprovavam. Nem perfeita de mais, nem ela própria que desconhecia.Apenas o suficiente.
Nesta altura terá reflectido sériamente para que serviria partilhar as imagens do seu mundo e mesmo as dela.
E aqui surge de novo a dúvida. Os tais antigos dizem que escolheu os personagens da vida real e os incluiu nas suas miragens com pequenos ajustamentos. Os mais incondicionais dizem que os transportou para o seu mundo de verdade e luz onde eles se reconheceram.Os mais cínicos ponderam que afinal enquanto as pessoas precisarem de histórias haverá sempre vendedores de miragens.
Será que alguem se quer dar ao trabalho de descobrir o deserto para alem da miragem?
Ou será que existe miragem para alem do deserto? Seria a propria vendedora uma miragem?
Há quem suspeite da terra ressequida e árida em que nasceu. A favor desta hipótese os antigos que se lembram de a ver, bem pequena e triste, quase sempre de olhos fechados. Mas mesmo os pincipais opositores desta teoria recordam, não sabem bem se num dia ou numa época. Ou mesmo num inverno frio, seco e cinzento. O que é certo é que ela começou a sorrir. Ainda que e só com os olhos fechados. E lembram-se, não por ser um sorriso terno e quente de criança. Surgia do nada, congelava por uns momentos e depois desfazia-se deixando apenas uma sugestão, uma dúvida, quase um desencanto...
Ela dirá que nessa altura começou a viver. Lentamente a areia e o deserto ganhavam cor. O ar quente enchia-se de um odor quase enjoativo a plantas exóticas e a flores murchas. Cedo no entanto começou a saber corrigir estes excessos. Os excessos de cor, os excessos de luz... Pena mesmo era que quando abria os olhos tudo desaparecia. Pior ainda que as outras pessoas pareciam não ter conhecimento desse seu mundo.
Foi então que, sem saber como, começou a partilhar as suas miragens. No início quase a medo como quem conta uma história de fadas, como algo de irreal, distante, impossível.
Serviu esta fase, passageira e pouco importante, para descobrir como as pessoas gostavam de histórias.E, revelação surpreendente, como ela propria se alimentava delas.
Mas, terá sentido nessa altura, as histórias que contava eram apenas um reflexo insatisfatório. Algo como um raio de sol que cega e ilude mas que não lhe pertencia por muito tempo.
Teria mesmo era de se incluir na história. As primeiras tentativas foram desengonçadas. Inábeis. Depois, procurando ávidamente agora os olhos das pessoas, foi pouco a pouco eliminando tambem os excessos dela própria. Construindo golpe a golpe a imagem que os outros aprovavam. Nem perfeita de mais, nem ela própria que desconhecia.Apenas o suficiente.
Nesta altura terá reflectido sériamente para que serviria partilhar as imagens do seu mundo e mesmo as dela.
E aqui surge de novo a dúvida. Os tais antigos dizem que escolheu os personagens da vida real e os incluiu nas suas miragens com pequenos ajustamentos. Os mais incondicionais dizem que os transportou para o seu mundo de verdade e luz onde eles se reconheceram.Os mais cínicos ponderam que afinal enquanto as pessoas precisarem de histórias haverá sempre vendedores de miragens.
Será que alguem se quer dar ao trabalho de descobrir o deserto para alem da miragem?
Ou será que existe miragem para alem do deserto? Seria a propria vendedora uma miragem?
quinta-feira, março 03, 2005
Tabacaria
O prazer de ensinar, a meio da noite á filha adolescente, a Tabacaria. O imaginar as leituras, as entoações, os estados de alma até ela me confidenciar com aquele desapego sem indiferença:
-"Olha, estou apaixonada pela Tabacaria"!
A noção que há distancias de tempo, há saltos de gerações, há desertos de insinuações e mundos de contradições que estão apenas á distancia de um poema.
-"Olha, estou apaixonada pela Tabacaria"!
A noção que há distancias de tempo, há saltos de gerações, há desertos de insinuações e mundos de contradições que estão apenas á distancia de um poema.
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